segunda-feira, junho 30, 2003

Finalmente
...Relatório Minoritário – Aquela necessidade dum final tão ostensivamente feliz, um desculpem qualquer coisinha para nos repor os abalados índices de confiança... O filme podia ser muito bom não fosse tresandar a Spielberg.
...Um Roupeiro Para o Quarto – Depois de várias idas ao Aki, uma broca partida, alguns milímetros de desalinho e muito pó do estuque nos olhos, consegui terminar a primeira fase. Eu sei que a fase das portas de correr vai ser ainda mais difícil. Mas um gajo não pode virar as costas ao alicate, tem que ter confiança nas suas capacidades e nos folhetos faça você mesmo. A bricolage é uma boa maneira de se poupar dinheiro e ficar com os dedos roxos.
...Clube de Combate - Extremamente eficiente. Os revolucionários do sofá, apreciadores de filmes que façam pensar, têm aqui mais um desses happenings consensuais mas no fundo inofensivos. A par com Trainspotting, é uma referência para um público consumidor de supostos frutos proibidos, ritual de pretensa lucidez underground e contribuição para a demanda anti-sistema! Hollywood agradece.
...Sardinhas Assadas – Opto pelo barbecue descartável. Explico, um pequeno fogareiro preto, daqueles baratos que dão vontade de dar pontapés e enferrujam facilmente, carvão, peixe, pão e umas mãos sujas com carvão... Tudo o que é preciso para uma sardinhada. No final da época deita-se fora o fogareiro e pró ano compra-se outro. Aqueles barbecues todos catitas e onde afinal também se apanham de vez em quando sardinhas pisadas, ficam bem é na casa do vizinho. Olha, lá está o gajo a puxar-lhe o lustro.
...Mulholland Drive – O pior filme de Lynch, um gajo com muito bom gosto mas incompreendido.
...Posto de EscutaDescobri. Na realidade não devo dizer nada de absolutamente relevante ou minimamente original para merecer constar naquele repertório de tiradas da nata blogueira nacional. Já desconfiava mas é sempre bom termos a certeza. Como provavelmente só falo para as paredes, poderá ser esta a vingança do boneco ? Preciso duma garrafinha de água com gás.
Profecia #1
Façam copy & paste do que escrevo: E chegará o dia em que mandar um gajo ir blogar será pior que mandá-lo á merda!

sexta-feira, junho 27, 2003

- Estou inocente porque não fui eu que casei. Foi a minha irmã gemea!Icone 5.0
Podia dar um anime a atribulada vida sentimental da Sofia Alves, uma gaja que, segundo as revistas da especialidade, parece andar com outro, ou seja, parece ter finalmente encontrado mais um homem da sua vida. Há gajas (e gajos) com muita sorte! Muito boa rapariga há por aí que nem unzinho consegue encontrar, casando e parindo, já em quase inconfessado desespero, ao mínimo sinal de fumaça. E depois é episódio de telenovela atrás do outro e o suspiro continuo pelas cenas dos próximos capítulos que muito provavelmente nunca passarão disso.
Estava longe de pensar alguma vez escrever aqui sobre a Sofia, contemplá-la como ícone. Confesso que a pequena não entrava no meu ranking onde dou primazia a gajas mediáticas e belas (boas) sim, mas com um je ne sais quoi de divinal e um subtil look mais ou menos esfomeado. È uma palavra crua e algo rude, eu sei, mas acredite-se, a mais adequada para exemplificar o meu critério. Uma certa fome dá profundidade a uma mulher. E de pouco nutrida, a Sofia não tinha nada. Uma coisa eram aquelas personagens ousadas que a actriz muito bem interpretava, que levantavam as saias e mostravam os seios (Ballet Rose, certo ?). Mas era por uma óbvia boa causa, o seu ganha-pão artístico. Outra coisa eram as suas aparições publicas, a vida real, onde inalava aquela beleza encarnada duma Nossa Senhora, a espiritualidade duma Madre Teresa e a sensibilidade duma escrutinadora do totoloto. É bom de se ver, que a Sofia tinha aquele ar de amiga solteira da nossa mãe, daquelas que aparecem ao lado dela naquelas fotografias a preto e branco do já longínquo casamento. Aquele ar nada inspirador de boa rapariga que mesmo que não fosse casada, jamais se divorciaria ou apareceria desnudada numas quaisquer páginas centrais, a não ser, claro, também por uma óbvia boa causa.
E agora, numa clara manifestação de muito sangue na guelra, Sofia surpreende todo o universo consumidor da vida alheia, desde o mundo machista, à dona de casa que é a primeira a dizer que já se esperava, que nunca, deixava o meu marido e um filho bébé para ir para África, nem por todo o dinheiro do mundo (...) e a segunda a suspirar que nem pelo Diogo Infante que, ai, é um desperdício (!). Já te estão a apedrejar Sofia! Coragem, não te deixes acertar por estes arremessos de dor de cotovelo e inveja, e segue rumo à ilha da Caras mais próxima.
Anedota de elite #3
"Se um dia a pessoa que amas te trair e decidires atirar-te de cima de um prédio, lembra-te:
Tens um par de cornos, não de asas."
,in minha caixa de correio electrónico

feedback de elite #1
"O duro não é carregar com o peso dos cornos, o duro é... sustentar a vaca!"
,in minha caixa de correio electrónico

feedback de elite #2
Contrariando esta tese, "na Argentina, uma mulher traída resolveu atirar-se de cima de um prédio. Caiu em cima do marido adultero que faleceu ali mesmo. Ela, dada a qualidade do amortecedor, sobreviveu, e no hospital apaixonou-se por um enfermeiro. Casaram-se e são hoje muito felizes...." (suposta história verídica. pelo sim, pelo não, vivem hoje muito felizes mas num rés do chão esquerdo)
,in minha hora de almoço

quinta-feira, junho 26, 2003

Americlones
Uma infame colagem da intrigante treta MATRIXiana com a intragável treta bíblica, pode ser localizada em http://webpages.charter.nset/btakle/matrix_reloaded.html. Os americanos são especialistas em teorias da conspiração, em encontrar coincidências e ligações que mais ninguém no seu perfeito juízo encontra. Já terão reparado que na palavra Matrix, nenhuma letra se repete, começa por M e termina num X ? Isto deve significar alguma coisa...
Sósias em casa
Uma réplica perfeita dessa autêntica mata cabritos que é a conceituada e biguebrodarizada actriz Rita Ribeiro, pode ser localizada na saída da Rua da Escola Politécnica do metro Rato, lojinha das roupas sempre cheia de mulherio diverso. Nunca passei da montra mas as excursões até ao local são em autocarro de gran-turismo.
(Re) produções Fictícias
Reproduções das típicas piadas sobre os fait-divers que diariamente brotam espontaneamente entre colegas de escritório ou pessoal da estiva à hora do almoço ou durante o expediente, podem ser localizadas por volta das seis e meia da tarde em 87.5 (TSF). A coisa, que não está com nada mas lá se arrasta com o nome de “Estou quem fala”, é composta por um gajo e uma gaja que, desprovidos do necessário jeito que dava jeito, lêem os textos supostamente como se os estivessem a interpretar ao telefone. É a mais recente incursão radiofónica dessa trupe pseudo-genial e em toda a parte intocável, que vai buscar sempre o osso onde quer que ele se encontre.
Ideia para um final nem sempre feliz
... ela espera ansiosamente pela chegada dum meio de transporte qualquer, quando um desconhecido com aspecto de bom desconhecido lhe pergunta:
- “Desculpe, mas o que está a usar, não é Denim ?”
Ela desmaia nos seus braços e vivem assim para sempre.
Suportável
Entrar numa boca inexplorada que cheire mas não saiba a tabaco é suportável.
A trela
Uma mulher como algumas, caminha a passos largos em direcção a um largo qualquer. Calça uma espécie de sandália, projectando para a frente os dedos dos pés, que saem assim fora do alcance da sola em couro cerca de um centímetro, tocando carne com chão, no alcatrão, nas pedras da calçada, no cócó de cão e até na gravilha, consoante, porque para além do ziguezague que faz para se desviar dos automóveis mal estacionados, a rua, que é a descer, está em obras. Por incrível que pareça, ela não dá por isso, convencendo-se antes que alguém a persegue a passos curtos. Decide então parar e aguardar pacientemente que o perseguidor se aproxime, enquanto aproveita para medir com uma régua a medida atrás especulada, isto numa clara demonstração do quão pacientemente parece aguardar. É um cão, que passa por ela cheirando tudo e nem água vai nem água vem. Perplexa, a mulher agora com sede, abre o cantil que trás a tiracolo e coloca os lábios pintados no gargalo, começando a emitir sons que pelo eco denunciam um cantil vazio. Aproxima-se então dum homem que está agachado e se penteia no espelho lateral dum carro verde bem estacionado. Pergunta-lhe, com a voz ainda meio embargada da sede, que tipo de shampoo ele usa da seguinte maneira, o senhor desculpe mas julguei que estava a ser perseguida, sempre que isto acontece dirijo-me à primeira pessoa agachada que encontro e pergunto-lhe como faz para evitar a oleosidade no couro cabeludo. O homem levanta-se, sacode caspa dos joelhos e responde-lhe se entrar dentro deste carro verde eu confesso-lhe tudo. A mulher que queria a todo o custo obter uma resposta para a verdadeira questão que era porque andava sempre precisada duma boleia, entra, de imediato apercebendo-se que por dentro o carro verde é mesmo um carro verde só que com a pintura riscada. O homem senta-se a seu lado e pede-lhe com os olhos e as orelhas para ela lhe dar a mão, coisa que ela acede, tirando insidiosamente um dos anéis e uma das sandálias. Na sua mão o homem coloca-lhe uma trela de cão, colando-a com cola cuspe, espalhada uniformemente com uma língua desconhecida mas que não deixa marcas de batôn, ficando-se sem saber se houve esse cuidado. Por diversas vezes é-lhe pedido que ponha o dedo. Ela acede. Ela acede sempre. Pede-lhe a outra mão, desta vez só com os olhos. Ela acede. Ela acede sempre, mas não descalça a outra sandália porque há algo de inteligente naquela imagem reflectida no pequeno espelho de make-up. O homem descalça-se e toca com os seus dedos dos pés nos do pé descalço da mulher. Ela estranha que ele só lhe toque no pé descalço quando está o outro calçado mas também com os dedos expostos, e pergunta-lhe porque me pediu a outra mão ? Ele responde, julgava que fosse assim que gostasse. Ela volta a calçar-se e o homem visivelmente atrapalhado com aquela reacção inesperada, assobia, dando ao mesmo tempo à manivela. A porta do carro verde abre-se gradualmente e de repente a mulher é puxada violentamente para exterior indo agarrada atrás da trela. Desaparece da vista de toda a gente e não se ouve ladrar. Minutos depois surgia no local um outro homem, depois identificado como marido da mulher, que gritava desesperado se alguém vira por ali uma trela. Mais tarde, muito mais tarde, seria posto em liberdade.

quarta-feira, junho 25, 2003

In case you didn't know
"According to a major search engine the term penis en l a r g e m e n t was searched 154362 times last month. Sexual performance was searched 8092 times (...) SEE WHAT ENLARGO CAN OFFER YOU !!TODAY!!" in mail, spam.
C.E. Standard
As coisas começam a ficar seriamente preocupantes quando, na mais suburbana das tascas, os pires trazem caracóis, todos com o mesmo tamanho de tripa.
- Este não é o lado que me favorece mais...Alien update
Uma vez fiz 3000 quilómetros para ir tomar um copo ao Bar Giger no Chur, Suiça. O dia estava quente e apetecia-me algo fresco. Meti-me a caminho e isso fez de mim, automaticamente, um dos maiores fãs do homem que concebeu o monstro definitivo, a encarnação perfeita do medo. Recentemente entrei em contacto (mail) com o agente do Giger. Expus-lhe a minha ideia, possuir um original do artista, preferencialmente um quadro do tipo 'bio-mechanic landscape', aqueles que calculava seriam mais acessíveis. O agente respondeu-me informando-me que Giger já não pintava e estava inclusive apostado em recomprar muitos dos quadros que vendera, para agora “equipar” a colecção particular do seu museu. Ainda assim, se eu estivesse MESMO interessado, talvez me conseguisse algum quadro menos famoso junto de um coleccionador, mas que nunca me ficaria por menos de 5 ou 6 mil contos (!!) O pior não é não ter o dinheiro. O pior é não ter dinheiro e ter-se a certeza absolutíssima sobre o que se faria com ele se o tivéssemos...
Sou mesmo um fã, na verdadeira ascensão da palavra, do Giger, principalmente do Alien, criatura pela qual tenho um quase mórbido fascínio (há quem defenda que qualquer fascínio por aquilo só pode ser mórbido!). Como é natural sou consumidor da série de filmes, por ora, quatro obras primas do cinema fantástico, todos eles adjectiváveis mas todos quase impossíveis de ordenar por ordem de preferência. Cada filme parece ter tido o realizador e a história certa no momento certo. Ao contrário de outras sequelas, todos os filmes têm honrado o primeiro que por sua vez honrou a arte de Giger ao concretizar na tela, dessa forma tão palpável como só o cinema consegue, grande parte do universo perturbador do artista.
Esta minha lenga-lenga, serve apenas para anunciar ao pequeno mundo que me lê e que eventualmente, e porque terá mais que fazer, ande desapegado destas coisas, que o 5º filme está na forja. As filmagens podem começar ainda este ano. Sigourney Weaver não está dada como certa no filme, assim como não se sabe se a história se desenrolará no espaço, na terra ou no planeta nativo dos Aliens, hipótese mais interessante e defendida por Ridley Scott, o realizador do primeiro filme, que já mostrou interesse em participar no projecto desde que seja para acabar de vez com a série. James Cameron (realizador do 2º mas também desse monte de lixo irreciclável que é “Titanic”) poderá ser o argumentista e produtor, e Paul Anderson (Mortal Combat, Event Horizon, Resident Evil) o realizador de serviço fortemente apontado caso a opção do 5º filme seja concretizar a cantiga “Aliens vs. Predator”, receita já experimentada com sucesso nos video-jogos e na BD. O competente Joss Weddon (escritor do 4º filme) é um dos prováveis guionistas também.
Melhor que a Lusa!

terça-feira, junho 24, 2003

A união faz a forca- Uff! Finalmente um sítio à maneira para atar uma corda e... estender a roupa!
Se há coisa que não suporto é o concenso. Encerra em si um perigo qualquer, algo de inexplicavelmente desconfortável. Não tanto do tipo "pedra no sapato" ou "unha encravada" mas mais "comichão no toutiço". Naturalmente haverá um termo clinico para este meu sintoma. Ocorre-me a imagem dum imenso marasmo de pessoas obedientes e concordantes, maiorias que não são mais que rebanhos de carneiros anónimos, ordeiros, comandados por um pastor por sua vez caseiro dum patrão qualquer... Lembram-se do genérico do "Tal Canal" ? "Méeee! Mééé!"... Meia duzia de focas amestradas que batessem palmas sempre que aparecesse uma bola por perto também servia. "Clap! Clap!"
Não é nada recomendável ser-se chato mas ser-se do ‘contra’ nunca fez mal a ninguém. Não ver o que toda a gente vê, não ler, não bater palmas àquilo a que todos aplaudem, não estar onde está toda a gente está, enfim, não fazer orgulhosamente parte da maralha.
Há que ter sérias reservas sobre as tendências dessa maioria unida que brame, gente que não é de confiança. Não se notam os seus nefastos efeitos colaterais por toda a parte ?
Há que pensar pela própria cabecinha. Dá trabalho, e oh meu senhores, que trabalheira! Por isso a união faz a forca ao indivíduo, oferecendo-lhe uma suave morte cerebral, a anestesia do pensamento. Poupa-lhe o labor, mas tira-lhe essa incómoda diversidade, bem cada vez mais prescindível para a maioria, só preservado e apreciado com o requinte de alguns...

sexta-feira, junho 20, 2003

Bucho
Acabei de atravessar o largo do rato com o sinal vermelho, três bejecas, um croquete, um pastelinho de camarão e uma quantidade indeterminada de tremoços no bucho. Não tente fazer isto em sua casa.
Novo endereço
www.especiequalquer.blogspot.com.
Bacalhau inútil Venha de lá esse escamudo!
Por mais que me esforce, não me consigo imaginar na pele daquele gajo e descortinar o que passará naquela cabecinha. Passo a explicar, que por força da minha actividade profissional, desloco-me frequentemente a certo local que viu reforçada a sua segurança à entrada com mais um elemento. Segurança privada, típico, um gajo que curiosamente já fizera segurança no edifício onde trabalho, velho reconhecido. Ditaram então ordens superiores, que cada pessoa que ali entrasse, fosse quem fosse presumo, teria a partir de então de mostrar a sua identificação. Compreende-se, porque é local de muita devassa, muito turista perdido ali espreita porque aquilo por fora tem ar de casa apalaçada, museu, monumento nacional pela certa. Outra gente ali vai, entre eu e muitos outros anónimos ou não, por razões que desconhecerei ou que não serão para aqui chamadas. Mas eu sou habitué, assim como sou já conhecido do segurança, um gajo que impõe respeito, correctíssimo e com uma peculiaridades na linguagem e no trato que não passarão despercebidas ao utente do local. Há sempre uma troca de bacalhaus à entrada e um até breve à saída sem que isto signifique um tu lá e um tu cá que é compreensível não existir: “Como está... Cumprimentos lá ao senhor fulano.... E o senhor beltrano nunca mais o vi por aqui... Hoje está muito calor...” Logicamente, seria de supor, sendo eu pessoa conhecida já se vê, que o segurança, tendo eu dado prova mais do que uma vez da minha identificação, não me voltasse a pedir a mesma. Mas não, o homem, cumpridor escrupuloso das suas funções, não se duvide, lá me questiona, barrando-me discretamente a entrada. E não é preciso dizer nada que eu já sei. Bacalhau (se calhar é mais escamudo=peixe parecido mas que não é bacalhau, e que por vezes é vendido em alguns supermercados como sendo) e vai-se procurar a identificação na carteira. Há que fazer prova da identidade. “É assim que tem que ser e ordens são ordens e eles mandam e nós cumprimos”. Mas porquê ??!! Porquê ritual inútil e repetitivo ? Eu não sou da casa mas é quase como que fosse. O gajo não se lembra de mim ? Estive ali ontem. Ou é como o outro do “Memento” cuja memória, o conhecimento e a lembrança de pessoas e locais não ia além dos últimos quinze minutos ? Não compreendo este excesso de zelo, o que vai naquela cabecinha. É suposto pôr-mo-nos na pele dos outros para tentar compreender as suas motivações e as causas para determinadas atitudes. Exercício no qual julgo ter alguma habilidade. Mas neste caso, que começo a julgar perdido, não consigo. Em conversa com outros colegas, todos são alvo daquele mesmo zelo e quase todos já sentiram o horror de ali terem chegado um dia esquecidos da identificação: “hoje passa mas da próxima vez...!”. Alguns que até têm inclusive confiança com o gajo segurança ao ponto de discutirem sobre bola, carros, bola e carros (!) A inutilidade é coisa que emprega muita gente neste país. Acredito que deve haver funcionários públicos em Ministérios cuja tarefa será simplesmente estarem sentadinhos junto às portas levantando-se para as abrir e fechar à passagem dos senhores da casa. E o pior é o excesso de zelo na inutilidade e na autoridade do qual é exemplo cómico aquele segurança.
Quando entro no Blogger, ele reconhece-me. Inseri uma vez a password, identifiquei-me uma vez e a máquina desde então nunca mais me pediu identificação. E nunca lhe dei um bacalhau...

terça-feira, junho 17, 2003

New Feature!
Longe de nos propiciar qualquer tipo de exaltação, presenciar a 'morte' dum blog cria em nós uma sensação qualquer assim do tipo “eles vão-se mas nós ficamos”... Nós, os que continuamos ou os que resistimos.
A única coisa boa num funeral, principalmente quando não é o nosso, é encontramos sempre amigos que já não víamos há muito tempo. Não se tratando aqui de qualquer enterro, ficamos no entanto com a sensação de não mais encontrarmos estas espécie de amigos que nunca vimos.
Crio uma nova secção de links - R.I.P. (rest in peace, trad: “Resolveram Ir Parar”) - , com endereços de blogs que por um motivo qualquer ou por que lhes deu na veneta, bloquearam, pararam, ficaram-se durante a vigência deste meu mandato. Todos eles, merecedores duma ressuscitação isenta de milagre, que não passem de breves e suaves hibernações.

- Estou a ficar febril
- Sim nota-se na tua cara que estás
- Com vontade de ir embora
- Tenho tanto para fazer
- O médico passa-te um atestado
- De certeza
- Isto é algum dente
- Tem que se arranjar
- Uma tanga não é
- Não se nota o vermelho
- Isso passa, dura pouco
- O efeito do Prozac

segunda-feira, junho 16, 2003

Lábiatomia (reloaded:18.06.2003)
No Sábado estive a ver televisão até tarde, passava da meia noite. Vi o rosa choque, um programa que serve para demonstrar o quão medíocres conseguem ser gajas supostamente respeitáveis como Julia Pinheiro naquele seu esforço ingloriamente histérico de dar nas vistas/cameras, Margarida Rebelo Pinto, versão gaja que não parece mas vende livros como o caraças, ou quão espertalhona e impossível de aturar deve ser a Teresa Guilherme quando alguém lhe diz “passas-me o sal ?”. Programa didáctico como se vê. Reparo que estou para aqui a dizer mal de pessoas que não conheço pessoalmente, numa maledicência quase como se fosse nas costas delas, sem hipótese de se defenderem. (Nunca percebi esta expressão do “falar nas costas” (!). Se alguém me falar nas costas, só se for surdo não vou ouvir! Mesmo que falem muito baixinho, os sussurros ou os beijos na boca serão audíveis. Proponho a expressão “falar longe das costas”) Mas ao mesmo tempo estou a promover de borla o programa, simplesmente por estar a falar dele. Vou agora parar uns segundos para tentar arranjar mais um subterfúgio qualquer que legitime esta minha pouco recomendável atitude e esclarecer-me... Arranjei. As gajas que se expõem daquela maneira estão mesmo a pedi-las! Dê-me um sinal de televisão e lutarei com as mesmas armas, ou que venham elas sem betume na cara e dir-lhes-ei frente-a-frente o mesmo que escrevo. Paciência, é um risco que corre todo o bicho careta que aparece na televisão, local que, como diz muito bem a fabulosa Madonna, “só é bom se for para aparecermos nele”. Nem tudo podem ser rosas!
Esclareço-me desde já que o que me agarrou ao televisor não foi aquele gajedo e que tal acontecimento, raro, não significou de maneira nenhuma um sintoma duma qualquer tele-dependência latente e inconfessada. De facto vejo tão poucas vezes televisão que cada vez que a ligo, vou sempre espreitar atrás a ver se lá estão as pessoas que aparecem no écran.
E como é natural, não me fui pôr á frente do televisor à espera dos sketchs patéticos do rosa choque ou captar esse momento sublime que seria ver a Teresa Guilherme de boca fechada. Não, como pessoa decente e altamente recomendável que sou, acabara de ver o “Lugar da História” do Canal 2, documentário sobre os sodomitas Espartanos, quando fiz um zappingzinho inocente daqueles tipo “não me apetece ainda ir já para a cama, deixa cá ver se está a passar alguma telenovela erótica venezuelana”. O Herman era o convidado. Não bastaria, mas o desenrolar dos acontecimentos, aquele visível fosso cultural, intelectual, a riqueza interior entre o convidado e as gajas, aquele escandaloso contraste manteve-me acordado mesmo depois de ver a Julia Pinheiro descascar um pepino, momento crítico da noite. A fulana agarrava no pepino como se tivesse a agarrar numa faca e vice-versa. A custo lá descascou a faca, perdão, o pepino, mas da forma fálica do mesmo e muito dada a piropos, que diga-se de passagem, não se verificaram ‘against all odds’, restou uma forma paralelipipeda tipo construção Lego, sem restea de casca, obviamente. Lá explicou o humorista acossado que umas tirazinhas de casca eram necessárias porque continham umas enzimas que facilitariam a digestão. E foi este pequeno instante crítico, que me fez pensar sobre o que é afinal preciso uma gaja ter para aparecer na televisão... Saber descascar vegetais não é certamente. O tempo das cunhas já lá vai e só é válido para empregos burocráticos que ninguém quer. De aptidões técnicas, intelectuais ou físicas estamos falados... Ora, o que é preciso ? L-Á-B-I-A. O lábio pode fazer muito pela carreira de qualquer gaja, mas a lábia é a chave mestra que permite abrir todas a portas e escalar para o topo das audiências. Enquanto nós gajos utilizamo-la para fins pacíficos, como seja sacar o número de telemóvel da repositora apetecível dos presuntos pata negra no hiper, elas utilizam-na para se armarem em boas na televisão e ainda ganharem dinheiro com isso. Rapidamente entram num circulo vicioso, televisão, dinheiro, operação plástica, televisão, dinheiro, operação plástica, com muita roupinha de marca, sessões de massagem e pedicure, e anúncios para instituições de caridade pelo meio. De gajas absolutamente normais ou até a roçar o fatela mas com lábia, passam a gajas visivelmente suportáveis e hipoteticamente comestíveis com muita lábia.
No próximo Sábado, segunda parte do documentário sobre a cidade estado de Esparta.

Ps: Aparece também no Rosa Choque um fulanito inútil que, ao que parece, disse uma vez que se não fizesse televisão matava-se. Compreendamos o desespero. Afinal, a vida não está cá fora, está lá dentro... Esta espécie de auto lobotomia pode causar este tipo de delírio que depois resulta muito bem na televisão made by teresa guilherme.

quinta-feira, junho 12, 2003

Fora do penico
A minha maior lacuna não é não ser capaz de apreciar um bom vinho ou nunca ter ido assistir a um jogo do Benfica ao vivo. Muito menos é nunca ter estado em Novaiorque, Queluz ou no quarto da Monica Bellucci. A minha maior lacuna é não ser uma besta. E que jeito me dava. Não se confunda com a reconhecida e mui vulgar besta quadrada, versão torpe, um erro genético. Antes uma besta, simplesmente, mas com a mesma sensibilidade, bom gosto e sentido de estado que tenho. Mas infelizmente não sou... Na tropa, quando formava o pelotão, ficava para lá do meio, do lado do pessoal com menos caparro que é desta forma que se ordena o pelotão. A questão do caparro não quer dizer nada. Mas os olhos também têm medo, e a primeira impressão, a impressão do arcaboiço é a imagem de marca de qualquer besta que se preze. De longe ser eu uma besta. A minha sombra desde sempre me pareceu ridícula, principalmente quando ao sol de fim de tarde.
Sim, se eu fosse uma besta, a humanidade só tinha a ganhar. Não havia estúpido nas redondezas que já não tivesse levado no focinho ou nas trombas e aprendido com a sua própria estupidez e os meus próprios metatarsos. Consequentemente, familiares e amigos, vizinhos e inimigos dos estúpidos só tinham a ganhar com a humanização do animal. Não duvido que muitos passariam a ser bons país, melhores maridos e verdadeiros amigos do seu amigo depois de levarem nos cornos. Quiçá me ultrapassariam em virtudes e muitos depois pagar-me-iam umas bejecas tentado convencer-me a revelar-lhes o segredo da minha bestialidade. Coisa que teria sempre todo o gosto em revelar, se truque ou sabedoria fosse, assim houvessem tremoços a acompanhar a fartura da cerveja.
Hoje, por exemplo, aconteceram-me duas situações onde, só eu sei quanto, me trucidei interiormente por não ser bruto que nem uma besta. Logo ao começar do dia, pacatamente no meu automóvel, à entrada da ponte, naquela zona onde por milagre as três faixas passam a uma, isto depois de 6 terem passado a três e assim sucessivamente desde as portagens, dizia que, respeitando escrupulosamente a regra da alternância democrática, ou seja, passa agora um desta faixa, passa outro da outra e depois da outra e volta à primeira, um animal pôs-se a apitar. Só porque ia 10 cm à minha frente, julgava-se ter o direito de entrar imediatamente atrás do gajo que ia à sua frente na mesma faixa e que acabara de entrar. Obviamente que parei, baixei o vidro, sorri e... E depois lembrei-me que não era uma besta e não poderia fazer o favor que os olhos da miúda que ia com o animal me pediam: agarrar-lhe pelos colarinhos, atar-lhe a gravata ao para-choques e dár-lhe um carolo na mona (uma besta sem sempre precisa ser bruta; basta-lhe por vezes subtilmente causar a humilhação, coisa que muitas vezes é remédio santo e inesquecível). Claro que não podia fazê-lo. Sujeitava-me a levar eu no rosto, na cara. A razão dá-nos muita força, é certo, mas é mais força moral que força de braço, murro e pontapé.
Mas o pior ainda estava para acontecer. E quanto fervi interiormente, que conflito enorme entre esta minha condição de gajo desarcaboiçado e espírito rufia. Ao virar da esquina, dou com um cão a cagar em cima da nossa preciosa calçada portuguesa, e o dono, trelinha na mão, à espera, pacientemente à espera que se consumasse o atentado. O que é que um gajo pode fazer numa situação destas ? Em primeiro lugar, claro está, ter o cuidado de não pisar a merda, e em segundo conter-se ao máximo para não ir ao focinho do dono da trelinha. Neste caso, não só correria o risco de levar no rosto, como ainda levar uma dentada daquela amostra de cão que no entanto cagava como os grandes. A uma verdadeira besta bastaria ter arregalado os olhos para pôr imediatamente o dono a fazer o mesmo que o canídeo fazia. E caso o gajo se armasse em tótó e não fizesse continência, se se fizesse despercebido, trocava de cachaço à trela, e punha-o de gatas a fazer um castelinho na calçada e depois obrigava-o a trasladá-lo com o máximo dos cuidados para não desmanchar as ameias, para o caixote do lixo mais próximo. Uma verdadeira besta é assim, justa, implacável, imponente, e ninguém na sua presença pia, mia, rosna ou caga fora do penico.
Vou agora para o ginásio dar-lhe com força.

quarta-feira, junho 11, 2003

Eros
A página deste blog, ao carregar, dá erros. Se são erros ortográficos, obrigadinho, eu sei. De vez em quando dou umas calinadas que só visto! Desculpo-me com o facto de ter que escrever à pressa, reler e depois publicar da mesma maneira... Estaria mais preocupado se não soubesse da existência das asneiras. Quem me lê e relê, talvez já tenha reparado que por vezes volto atrás e edito os posts. Pode ser que com o tempo a coisa melhore. Tudo melhora com o tempo... até certo dia.
Dor nas costas
Carregar com mais de quinhentos quilos de terra, a balde, sozinho, dum lado para o outro, pode ser uma profunda e marcante experiência filosófica. Só faz é bem. Recomenda-se que a distância dum lado para o outro seja entre os 50 e 100 metros e que o balde seja uma daquelas latas de tinta de 25 litros. Ao final da tarde.
Maldita mania das fotos em macro!Icone 4.0
Acho que deve ser caso único na medíocre história da humanidade. Uma gaja com um apelido italiano faz uma aparição num filme, não mais de dez minutos, e na Premiere portuguesa aparece na capa, à frente dos dois principais protagonistas. Compreenda-se o espanto. É que na Maxmen a rapariga tem honra de capa porque merece. Agora, a Premiere, é cinema senhores! Falo de Monica Bellucci, do Matrix, e está tudo explicado e perdoado. No próximo Matrix, ao que parece, a actriz, que já foi considerada (e com ampla razão) a mulher mais desejada do planeta, terá um maior protagonismo ficando-se na dúvida sobre se os irmãos Wachowski vão saber aproveitar aquela curvilínea matéria prima e saber brindar-nos com uns planos à maneira, que são, como se sabe, os planos favoritos da malta.
O que mais aprecio na Monica, para alèm do seu apelido, é o facto de dar toda a impressão de ser uma rapariga que não consome revistas femininas. Como dizia uma colega minha, aquele tipo de literatura está cada vez mais degradante e resumido, apostado apenas em "ensinar" as mulheres a excitarem os homens. Um sentido de missão honroso e util, não duvidemos para um sem números de camaféus e gajas fatelas que infelizmente se passeiam por aí fora. E a julgar pelas tiragens desse tipo de pasquins, quantas mais não estão entre quatro paredes. Como dizia muito bem a minha avozinha, "há coisas que não se ensinam". Digo eu que "a Mónica sabe-a toda". E nós gajos, damos muito valor a gajas assim, que até parece que já nasceram ensinadas.
A Monica também entra de carne e osso no jogo para PC, baseado no Matrix, onde podemos vê-la aos beijos (a cena é a mesma que no filme com o Neo) mas com aquela capitã Niomi (creio não ser este o nome, mas é algo parecido). Do quarto das amigas para os filmes do David Lynch, das telenovelas da globo para os jogos de computador, o lesbicismo (é assim que se diz ?) é um fenómeno interessante e excitante, e que facilmente se generalizará nos próximos anos, não duvido. Há público e a malta gosta. O heterosexualismo (é assim que se diz ?) também começa a ser um fenómeno.
Dor na barriga
Tinha alguma curiosidade em provar comida africana e um dia destes, daqueles dias em que se está com tanta fome que venha o que vier marcha, arrisquei e mandei vir o prato do dia, moambada.. Rapidamente descobri que a carne vinha acompanhada de uma matéria gelatinosa e viscosa, à vista, uma espécie de cruzamento entre alforreca e massa de silicone transparente para vedar loiças de casa de banho! Aquilo é intragável! Mas é mesmo, não estou a exagerar. E qual experiência filosófica o tanas! Paguei 7 euros que me lixei que o dono do restaurante não tem culpa das minhas niquices.
Feira
Volto à Feira do Livro pela segunda vez este ano, hoje de propósito para comprar o livro do dia da Editora Guimarães (das primeiras barraquinhas do lado esquerdo para quem sobe). Termos editoras que editam livros de autores como Nietzsche ou António Pocinho é actualmente a única coisa que nos distingue dos países do terceiro mundo. E por falar em Pocinho, a mui nobre editora Fenda não tem direito a barraquinha este ano. Há três anos seguidos que o “Elucidário Sexual” se mantinha naquelas bancas a 500 paus, a prenda ideal para oferecer às sogras deste miserável país. Este ano os livros da Fenda estão nas barraquinhas da Cotovia (as primeiras barraquinhas do lado esquerdo quem desce).

sexta-feira, junho 06, 2003

Sentido da Vida #2
Inconfundível com a Arrábida do Porto, o Portinho da Arrábida é um dos locais pequenos mais belos e inspiradores. Quem lá for ao princípio da noite, tipo fora de horas, irá perceber porquê; logo a começar pela vista do caminho até lá abaixo. É pena que aqueles restaurantes, que matam o bater das ondas, mais pareçam cais de embarque abandonados forrados a espelho e azulejo, e que no mar nunca consigamos ver os golfinhos que a tabuleta no estacionamento promete. O Portinho fica cedo sem sol, sem saladinhas de polvo, mas também sem gente. Fica apenas o indispensável e um cão ‘serra da estrela’ que dorme como um gato.

Filha
Já me começa a fazer falta um jogo novo...
Pai
E para que queres tu o jogo ?
Filha
Para jogar.
E porque é que não se consegue comer o raio duma bifana inesquecível ?

quinta-feira, junho 05, 2003

Destino
Não acredito no destino. Não acho que algures alguém alguma vez se tenha dado ao trabalho de traçar o destino de alguém. Cada um constrói o seu e já vai com muita sorte. Qual “era o destino, tinha que ser” qual carapuça! Nalguns casos ou se tem azar ou sorte, ou então não se tem nem uma coisa nem outra e vai-se desta para melhor.
Cada um constrói ou destrói o seu próprio destino e os destinos reluzentes ou em ruínas podem cruzar-se, influenciar-se, pedirem matéria prima uns aos outros...
É que o destino está sempre em construção ou remodelação e acenta sobre os poderosos pilares das decisões que tomamos perante o imprevisto ou o previsivel. E tomamos milhares de decisões por dia. Aparentemente as mais importantes são aquelas, uma ou outra, que podem previsivelmente influenciar o nosso destino. Mas é só aparentemente. Enquanto escrevo, tomo repetitivamente a decisão sobre qual será a palavra, a letra seguinte. Tomo repetitivamente a decisão de voltar ou não voltar atrás, reler, apagar, ou continuar, caminhar para o absurdo, filosofar, ajavardar, decisões atrás de decisões mais ou menos conscientes que vão influenciar o meu destino, por mais insignificantes que possam parecer. Se demorar mais um ínfimo segundo que seja nisto, será o suficiente para quando daqui a pouco me levantar e quiser ir lá abaixo ao pequeno almoço, já não ir naquele elevador que irá avariar-se entre o 1º e o 2º andar. Descerei pelas escadas, tropeçarei num atacador e cairei desamparado nos braços duma cadeira que estava ali a arranjar. Partirei duas costelas. Na ambulância, a caminho do hospital, uma fulana da Cruz Vermelha, que preenche um boletim de totoloto, toma a decisão de me pedir seis números. Eu tomo a decisão de lhe dizer uns números quaisqueres enquanto reparo como ela não é mesmo nada de especial. Se fosse uma gaja boa tinha dito números provavelmente completamente diferentes (o número do meu telemóvel por exemplo...) mas assim sai-lhe o primeiro prémio da semana seguinte e eu nunca chegarei a saber.
Percebe-se a sequência, como todas as decisões podem influenciar outras decisões, destinos e vidas, e interligarem-se num pequeno caos de micro e macro acontecimentos e situações. Está tudo em aberto ao encontro do acaso, sorte e azar, aguardando decisões, opções e vontades que despoletarão outras, vários rastilhos que se cruzarão em novos sentidos.
Vou neste momento deitar fora a pastilha, que mastigo, já sem sabor. No lixo será lixo. No sapato de alguém será o destino.
Está tudo por escrever.

segunda-feira, junho 02, 2003

Hoje uso o do meio que me fica bem com a franjinha! Parto difícil
Por detrás dum comportamento rebelde e provocatório, excitante, por vezes corajoso e surpreendente, está o desejo latente duma estúpida e assustadora normalidade, que se manifestará mais tarde ou mais cedo de forma dolorosa para quem está ao lado fascinado com o toque.


sexta-feira, maio 30, 2003

Ficas com os carocos e eu com a pele, certo ?Os Caroços
Uma menina está a brincar à malha sozinha e ninguém está a reparar nela. Entretanto ouve um gritinho e vira-se, pensando que seja uma das suas amigas imaginárias querendo desconcentrá-la. Era uma outra menina que tinha acabado de pisar um gafanhoto daqueles grandes e castanhos. A menina continuou com o seu jogo da malha, ao pé cochinho, baixando-se para apanhar a pedrita que momentos antes tinha atirado para a frente. Descobre que afinal não se trata duma pedrita coisa nenhuma, antes um caroço de damasco. Abana-o e repara que não faz toc-toc como faz a caixa de anti-depressivos que a mãe tem secretamente escondida na cafeteira eléctrica. A outra menina, que entretanto se tinha entretido a observar as formigas que agora devoravam o que restava do gafanhoto espezinhado e que ainda esperneava, aproxima-se e começa a apagar, maldosamente, os traços no chão do jogo da malha, enquanto cantarola uma musica baseada em factos verídicos. Era mesmo maldosamente porque sempre que fazia algo por maldade, a menina punha a língua de fora e tentava com a mesma chegar a uma verruga com a forma dum paralelipedo, verruga essa bem saliente e que tinha na face mesmo ao lado do nariz, assim como quem vai na direcção do olho direito. A menina do caroço de damasco na mão pergunta-lhe, olha lá, achas certo o que estás a fazer ? E a outra responde, enquanto não encontrar o caroço de damasco que perdi ontem quando estava entretida a fazer uma lobotomia a uma borboleta, mais ninguém que esteja perto de mim, num raio de 10 metros, terá sossego na vida!! A menina do caroço de damasco na mão, discretamente faz muita força para apertar o caroço e assim o esconder. Mas a outra, que tinha ténis novos e não via a hora de os saber calçar sozinha, desconfiou e disse olha lá porque é que continuas ao pé cochinho, se já te apaguei os riscos todos do chão ? És tola ou quê ? A outra ficou tão corada com aquela observação que disse, a minha mãe está a chamar-me, tenho que ir antes que o meu pai lhe grite para gritar mais baixo. A gritaria era quase infernal mas não era diabólica. Era assim, Oh Mariiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia, Oh Mariiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia. Nisto disse a menina da verruga, de facto, só me podes estar a esconder alguma coisa porque a Maria aqui sou eu e mais ninguem. Nisto mostrou à outra uma folha de papel com uma redacção da escola com o titulo “O meu nome é Maria graças a Deus”, e continuou, palpita-me que deves saber onde está o meu querido caroço. A menina do caroço de damasco na mão passou de corada a branco natureza porque entretanto a outra começou a pintá-la à trincha com uma tinta plástica hidrosolúvel. Antes de levar uma pincelada na boca, ainda teve tempo de dizer, não era melhor ires para casa antes que gastes a tinta toda aos homens na Junta Autónoma das Estr... (?) Começa então a chover, e no chão forma-se um imenso lago branco, pois a terra, saturada com as chuvas daquele mês, não absorve a água da lata e a tinta da chuva. Subitamente no local onde estão as meninas, pára de chover. Uma grua faz passar por cima delas um espelho gigante destinado ao tecto do quarto anão duma vizinha que dá nas vistas, que vive sozinha raramente no 18º direito. As meninas olham e observam as suas imagens reflectidas lá em cima, duas pequenas faces no meio do branco natureza, faces que iam no entanto ficando cada vez maiores, cada vez maiores, cada vez maiores, cada vez maiores, cada vez maiores... Ficam tão fascinadas com o que presenciam, que começam de imediato a correr da li para fora. Na atrapalhação da fuga, o caroço de damasco cai das mãos da menina que o tinha, logo seguido do enorme espelho que, no entanto, era à prova de bala, logo, no chão, apenas se partiu em quatro partes. Passado mais ano menos ano, depois de todo aquele bairro ter sido demolido e o entulho sido traficado para um país que ninguém desconfia, uma das meninas, agora mulher, é lascivamente acariciada na sua borbulha, agora em forma de cone, naquele mesmo sítio, debaixo duma árvore, quando um damasco lhe cai em cima da cabeça e se abre em quatro partes. Do seu interior salta o caroço para as suas mãos e diz, não me reconheces ? sou o teu caroço caraças! olha, o meu caroço, como terá vindo aqui parar ? Não olhes para mim, diz a outra com um caroço de nêspera escondido na mão.

quinta-feira, maio 29, 2003

Panadas de Postas de Pescada
"Os Blogs estão na moda..."
Depurar
A verdade é que a mariquice das sondagens (poll) aqui no blog revelou-se um fracasso ainda maior que o próprio blog em si. Estava-me já a fazer ao Jaguar mas não tive sorte nenhuma. Se a primeira sondagem ainda teve 8 cliqueiros, esta ultima sobre se seria preferível acreditar na vida antes ou depois da morte, merecia até à data apenas um clic, um desprezível clic. Como esta e outras ‘features’ só servem para atafulhar as templates de código e tornar as páginas mais lentas, decido retirá-la do ar. As audiências assim obrigam. É uma decisão irredutível. E só um abaixo assinado com mais de uma assinatura ou a proprietária da cervejaria ali em baixo aceitar a minha sugestão de haver uma ‘happy hour’ todas as sextas a partir da 17h me fará voltar atrás.
Além das sondagens, já retirei outro lixo que tinha colocado, deslumbrado que estava com estas mariquices todas que desconhecia existirem. Continua lá mais abaixo o bonequinho com a informação meteorológica que acho querido (não são só as gajas que têm direito a utilizar estes adjectivos!). Muda de roupa de vez em quando, aparecem nuvenzinhas, o sol, a chuva e houve um dia que, para gáudio dos fans, tirou os óculos escuros!!
Voltando ao tema desta ultima sondagem, julgo que o fracasso deveu-se à incómoda pergunta. Basta falar de morte para sentirmos desconforto, começarmos a pensar em carretas funerárias, varizes, amendoins com sabor a mofo, ‘talk-shows’ e morgues, enfim, aquele tipo de pensamentos que na nossa adolescência os nossos amigos mais velhos nos aconselharam a ter durante a nervosa e sempre precoce primeira vez. As questões a sondar deveriam ser mais comerciais. Tenho a certeza que uma pergunta do género “Concorda com a afirmação de Francesco Alberoni segundo a qual Nietzsche tinha consciência de que era louco ?” seriam um sucesso; o número de hits no meu blog disparava para números astronómicos e não tardaria a estar sentado na cadeira dum qualquer conselho de administração e a pedir pelo intercomunicador “tragam-me mais morangos com chocolate derretido s.f.f.”. Mas eu não sou comercial. Sou daquele tipo de gajo que nunca põe saldos e jamais entrará em liquidação total. Quanto muito faz descontos especiais, mas nem sempre a quem merece, infelizmente. Mas gosto terrivelmente de morangos. Já se está a ver o conflito institucional que há em mim...
Espero ter ainda muitos anos pela frente para poder falar da morte e parar de vez em quando nas bombas de gasolina para encher os furos lentos do meu carro. Na realidade já prometi a mim mesmo que quando o meu blog fizer o seu primeiro centenário, publico uma entrada com a palavra morte escrita em todas a línguas; trabalho de investigação que desde já me comprometerei a fazer mal me instale no nono círculo...
Eu não acredito na vida depois da morte e acho uma perda de tempo colocar-se sequer semelhante hipótese. Por isso, apesar de todas as contrariedades, tento acreditar ao máximo na vida antes da morte e que estará para breve um boom bolsista que nos vai salvar a todos.
Concordo com o Woody Allen, que diz assim mais ou menos, “não tenho medo da minha morte mas quando isso acontecer, não quero lá estar.” Acrescento que se alguma vez morrer, tenho a certeza que depois, onde quer que esteja, serei facilmente confundido com uma formiga ou qualquer outra bicharada que comigo morra nesse dia. Eu e toda a gente seremos confundidos. Não me confundam é com o Alberoni.

quarta-feira, maio 28, 2003

Recarregado
Fui ver o Matrix Reloaded. O filme começa de forma espectacular, com a Trinity a atirar-se da janela dum arranha-céus, indo desamparada aos tiros por ali abaixo com um dos maus; isto mostrado em camera lenta e com todo o detalhe. Mas depois, o 2º Matrix tem 20 ou 30 minutos bastante assustadores. Em Zion, a cidade real (de realidade), há conselheiros, políticos, generais, traições, mães de família carentes e rave partys. Tirando a parte da rave, aquela penosa meia hora em muito me fez lembrar toda aquela intriga política e mesquinha, aqueles conflitozinhos hierárquicos que há nos novos ‘star wars’. E há aquela conversa lamechas e demodée do ‘the choosen one’, que tinha esperança não fosse aprofundada neste 2º capitulo. Enganei-me. Foi-lhe dito que por artes divinas ele era o escolhido e o fulano neste capitulo já não tem disso dúvidas. Tão convencido que está que a determinada altura só à segunda consegue engatar um beijo como deve ser na Monica Bellucci (faz de mulher dum traficante de informação)! Desnecessário mesmo era vermos os esfarrapados pobres de espirito de Zion (o povo) ajoelhando-se com velinhas, oferendas e pedidos aos pés de Neo. Nem ali a malta tem juízo! Uma religiosidade que é depois levada ao cumulo do ridículo com o discurso inflamado de Morpheus dirigido ás massas antes de abrir a discoteca ‘underground’, à boa maneira ‘MTV live’ só que com muito mais calor e esfreganço, tudo salpicado com umas cenas tórridas de entremeio entre o Keanu Reeves e a Carrey-Ann Moss.
Mas o filme encarrila e acaba por ser um ilustre sucessor do 1º. Com porrada a rodos, tudo muito bem coreografado e sincronizado, muito pouco sangue e óculos inquebráveis... É limpinho! Mas um excelente elixir para os olhos, e acima de tudo, consegue pôr-nos os neurónios ás voltas com a filosofia matrix tornando tudo ainda mais complexo, como se fosse possível depois do primeiro capítulo.
Um surpreendente delírio visual e mental que vale todos os cêntimos do bilhete de cinema das segundas feiras.

terça-feira, maio 27, 2003

Aqui sou mesmo eu... mas nao digam a ninguem!Ícone 3.0
Quando surgem no mercado bocas e cenas escabrosas sobre gajas públicas e altamente desejáveis a todo o custo, fica-me sempre no ar a dúvida sobre o real alcance e objectivo do mexerico. Não duvido que por vezes tratam-se de golpes de marketing pensados ao milímetro pelas próprias visadas enquanto a maralha os consome julgando tratarem-se de verdadeiros escândalos, pequenos fins do mundo que alimentam o imaginário da malta sempre á espera da próxima. Sacanice à séria ou sacanice a brincar (golpe de marketing), no final de contas há sempre uma mais valia para as protagonistas e para os tablóides que ajudaram à festa. Gajas como Pamela Anderson ou Madonna, são algumas das que vão passando e facturando enquanto os cães ladram. Os escândalos e a má língua só vêm fazer jus à máxima “falem bem ou mal de mim, mas falem caraças!”
Tem circulado aqui pela Internet um já celebre mail com um ficheiro vídeo onde supostamente se veria a Fernanda Serrana armada em vedeta porno. A rapariga lá demonstrou a indignação da praxe desmentindo tudo, que não tinha sido ela a protagonista da gemideira. A guardiã TVI investigou a origem e conteúdo das imagens, recrutando para o efeito, diz-se, os maiores peritos em p0rnografia do país entre frequentadores dos peep-shows da capital, retirados do olímpia e coleccionadores de pequenos anúncios eróticos. Rapidamente se chegou á conclusão que a artista do ficheiro vídeo era uma actriz p0rno qualquer dum qualquer país de leste.
Confesso que até aqui nunca tinha reparado na Fernanda Serrano. Não é loura, nunca apareceu descascada na Maxim (Super Maxim ou whatever) e a TVI parecia ter o exclusivo da sua imagem telenovelizada, canal e programação que por norma não vejo... Do que sabia (via) dela eram aqueles anúncios do BPI onde a rapariga publicitava produtos financeiros. Para um gajo em falência técnica como eu, sempre achei aquele tipo de anuncio ofensivo, considerando-o como mais uma brincadeira sem graça ao estilo “isto só vídeo”. Ou seja, a Fernanda (nem o nome ajudava) não me dilatava um micro-milimetro sequer da pupila.
Mas esta coisa do mail p0rno, como qualquer outra sacanice de gajas públicas, fez de mim mais uma vítima. Foi ver-me uma noite destas a teclar entre aspas o nome da actriz na caixinha do ‘procurar’ do google. Sim, procurava mais informações sobre o vídeo, que é como quem diz, o próprio o vídeo (ficheiro .mpeg, .avi, desde que mexesse!). Um amigo meu já o tinha e mandava-mo por mail de boa vontade... Mas a minha caixa de mail só tinha disponível pouco mais de 0,5 Mb. A opção era apagar importantes ficheiros (!) ou abrir de propósito uma conta de mail para receber o vídeo da Serrano, opção que além de dar trabalho não me parecia eticamente correcta dado tratarem-se afinal de uns míseros segundos de pagode, provavelmente com uma qualidade de imagem dúbia. Daí a minha busca, a ver o que dava no google. E deu... Não encontrei o famigerado vídeo mas encontrei mais uma das mulheres mais bonitas que há memória, o que só veio mais uma vez comprovar a minha teoria segundo a qual, o país com as mulheres mais bonitas do mundo é sempre aquele onde estou de momento!
O golpe final deu-se quando entrei num site que, apesar de não ter sido por mim explorado como talvez merecesse, pareceu-me fazer uma apologia inocente e com bom gosto da Fernanda, exibindo numa das suas páginas diversas fotografias, qualquer uma delas, fazendo esquecer a imagem banalmente mediatizada da actriz/modelo e mostrando-nos uma mulher versátil e de uma beleza sofisticada, assim mesmo como a malta gosta. Não resisti e publico aqui, com a devida vénia, ‘a foto’ da Fernanda Serrano que julgo melhor ilustrar o que escrevo.
Ou seja, Fernanda, garantimos-te, se o que te tentaram fazer foi uma sacanice a sério, não calculam o favor que te fizeram. Como eu, quantos gajos não haverá por esse país fora, que foram inevitavelmente encalhar naquele ou noutro site de tributo á tua beleza, e perante ela não ficaram rendidos ?
E agora vou parar de escrever. Está quase a começar o “Amanhecer” e além disso tenho que preencher aqui a papelada para abrir conta no BPI.

quinta-feira, maio 22, 2003

Bufos & nus
O país está atrasado e assim não vai lá. A ultima que soube ilustra bem a falta de qualificação e formação profissional que grassa por estes arrabaldes. Numa escola secundária aqui da zona, um miúdo foi apanhado dentro da casa de banho própria para miúdos, calças em baixo, de playboy e pila, respectivos exemplares em cada mão. Uma auxiliar de educação bufa, depois de ouvir uns "barulhos esquisitos", apanhou a intrometida, o miúdo em flagrante mas legítimo delito, e denunciou-o de imediato á direcção da escola que aplicou ao efebo 2 (dois) dias de suspensão. Esta sentença aviltante que muito merecia vir escarrapachada no telejornal da TVI devia deixar-nos a todos indignados e fazer-nos reflectir sobre o cinismo que grassa até entre as auxiliares de educação. O jovem não tinha antecedentes, não estava numa via publica (logo não podia constituir um crime de atentado ao pudor), não estava na casa de banho dos professores ou das miúdas (logo não podia constituir uma excitante perversão) e praticava um acto reconhecidamente normal e próprio de qualquer idade (logo podia chamar em sua defesa testemunhos de figuras tão proeminentes como Júlio Machado Vaz) . Perdeu o jovem dois dias sabe-se lá de quão preciosas aulas, vitima da ignorância daquela auxiliar, que tinha a obrigação de estar preparada para situações como aquelas, e ao invés, feita histérica e armada em pudica, correu sabe-se lá com que abominável ligeireza até ao famigerado Conselho Executivo, onde os juizes de ocasião apenas demonstraram serem igualmente possuidores de falta de formação profissional, ao não condenarem antes a ingerência da rasca serviçal. É sempre o mais fraco que se lixa!
Se isto fosse o blog do pipi o mais provável era aquando do flagrante a história prosseguir um rumo pornográficamente normal mas quicá saudavelmente inesquecível para os intervenientes, i.e. a auxiliar fazia companhia ao jovem ou até mesmo dar-lhe-ia uma ajudazinha. Mas como não é, escreve-se aqui que a atitude correcta daquela auxiliar coitada era, obviamente, confrontada a embaraçosa situação, achar piada e dizer: "Olha eu vou sair, vou fingir que não vi nada. Mas sugiro que de futuro, para a escola tragas apenas os livros, e que faças o que estás a fazer na intimidade do teu lar." E o assunto ficava por ali. Não seria a resposta correcta e bem preparada duma auxiliar de educação bem qualificada para lidar com estas situações extremas ? Tirando o Pine Cliffs no Algarve, o mundo não é um lugar perfeito, assim como não há respostas perfeitas, comportamentos ou, tirando a Marisa Cruz, coisas perfeitas. Mas é assustador notar-se o quão fácil e cinicamente condenável pode ser este tipo de atitude de WC desviante mas afinal tão humana.
Vem-me á memória aquele ‘ganda maluco’ que numa manifestação de requintada boa disposição, entrou no principio da 2ª parte duma final de futebol, campo a dentro, mostrando o cartão vermelho ao arbitro para logo de seguida se despir e começar aos pontapés na bola. O fulano deve ter certamente ganho uma aposta qualquer, mas ficará sujeito ao mesmo tipo de cinismo de que foi alvo o jovem canholeiro da escola secundária. Sabe-se lá que sentença, quantos dias de prisão substituídos por multa levará um gajo que ao contrário de muito doente pervertido, não fez nada ás escondidas antes pelo contrário, desarmado e inofensivo, (apenas) contribuiu para fazer história naquele jogo, provocando um momento hilariante de ‘enterteinment’ à escala mundial. Ou acham que no futuro aquela final vai ser lembrada como mais uma final que o Porto ganhou ? Claro que não! Toda a gente vai lembrar-se da cena do gajo nu. Enquanto na escola, toda a gente vai lembrar-se de fechar a porta da casa de banho á chave, antes...
O Porto é uma cidade!*
* Presidente da república, primeiro ministro, 5 ou 6 ministros, vários secretários de estado, cerca de 40 deputados de alguns partidos, entre a assistência convidada pelo FCP para o jogo de ontem. Compreendo agora a tara desesperante dos clubes em quererem construir estádios novos e maiores. Bom senso teve a malta do Bloco de Esquerda que fez questão de afirmar que não tinha sido convidada mas mesmo que o fosse não punha lá os pés! Isto é que são verdadeiros Benfiquistas!!
* Foi engraçado notar que depois do jogo, após a fase mais exuberante da festa da entrega da taça, os jogadores do Porto já não sabiam o que fazer á mesma. A certa altura é visível a atrapalhação do Vitor Baia sem saber se a deixava ali na relva ou se a carregava ás costas até ao balneário. É que o homem estava desejoso de se pôr a imitar os pinotes do Mourinho. Por sorte havia ali um gajo de bigodes por perto, que lá carregou com ela.
* No tempo em que o Eusébio ganhava taças, era vê-lo agarrado a elas aos beijos e abraços. Eram menos pesadas é certo mas o homem era capaz de dar meia dúzia de voltas ao estádio com uma taça, e diz quem sabe que para a arrancar das mãos, tinha que ser sempre sob ameaça de o porem a jogar no Porto. Grande Eusébio!
* Em vez da taça, a cerimónia podia ser substituída pela entrega do cheque. Imaginemos, um cheque com os prémios de jogo ou seja, muitos cheques colados uns aos outros que formavam um cheque gigante. Os jogadores e os árbitros no final da final só tinham de separar o respectivo pelo picotado e depois podiam dar as cambalhotas que quisessem sem o perigo de deixarem cair um monte de prata com 15 quilos em cima das botas. Podiam até dar voltas ao estádio acenando os cheques ao público que retribuiria acenando com os guardanapos onde tinha trazido embrulhados os couratos. Seria mais bonito.
* P.....ara.......béns! Já disse, pronto!

quarta-feira, maio 21, 2003

O Friedrich é que sabe
Há factos de carácter tão delicado que convém encobri-los e torná-los irreconhecíveis por meio duma grosseria; há certas manifestações de amor e de uma generosidade exuberante, depois das quais nada há de mais aconselhável do que pegar num bastão e dar uma sova à testemunha ocular: assim se turva a sua memória.”, Nietzsche, “Para Além de Bem e Mal

terça-feira, maio 20, 2003

Sentidos para a vida: Olivença
Descobri ontem um desígnio nacional esquecido. O nome Olivença não me era estranho. Sempre julguei tratar-se duma qualquer terriola meio alagada pelo Alqueva e perdida ali por detrás dum monte alentejano qualquer mandado restaurar por uma qualquer vedeta do jet-set televisivo. Não foi bem assim o que imaginei, mas acho que fica bem escrever assim. Na realidade o nome Olivença não me dizia absolutamente nada, e se me perguntassem ontem antes do meio dia onde ficava, eu dizia que ficava algures no Alentejo, e depois provavelmente até seria levado a perguntar se o nome da terra era mesmo aquele, se não seria antes Oliveiça... Isto é pura ignorância, confesso. Qualquer português que se preze devia saber de cor o nome de todas as terras que lhe foram usurpadas ilegalmente por essa malta que só tem feito má vizinhança e dá pelo nome de Espanhóis.
E Olivença é um desses casos como os há muitos, de violação flagrante do direito internacional. E qualquer dia são tantos que alguém terá de fazer o favor de arranjar uma nova designação que esta de tão gasta tem os dias contados. A região de Olivença sempre foi meio nossa, meio espanhola, meio árabe, meio de outros ocupantes políticos e militares da península ibérica, e se calhar pouco foi dos que lá viviam. O que é certo é que em determinada altura ela, a região de Olivença que ainda é tão ou maior que a península da margem sul (zona entre Setúbal e Lisboa, englobando os concelhos do Seixal, Almada, Sesimbra e Barreiro), foi nossa de papel passado e tudo. Ora naqueles tempos um papel passado tinha tanto valor como um gajo passado (daí a origem do nome). E com miufa dos Espanhóis que naquele tempo andavam com os Franceses ás cavalitas, lá lhes cedemos aquelas terras de perder a vista depois de Elvas, do outro lado do Guadiana. Só que os Espanhóis marimbaram-se para o que estava estabelecido, e queriam mais. Ai é, então não levam nada e passem para cá Olivença! Tudo se resolveria a bem com novo tratado anos mais tarde, onde o raio dos Espanhóis reconheciam o direito de Portugal a Olivença e prometiam devolver aquelas terras ao nosso mapa.... Até hoje!
Isto arrisca-se a ser uma causa não só esquecida como também perdida. É uma questão de direito internacional, mas o direito internacional é cada vez mais uma cantiga de embalar países pequeninos. Qualquer re-anexação na prática só se concretizaria de duas maneiras e qual delas mais remotamente impossível. Ou eram os próprios Olivences que diziam “Porra estamos fartos de comer tapas e tortilhas e já temos saudades dum bom cozido á portuguesa. Não nos importamos de deixar de pertencer a Espanha, país com um nivel de vida muito superior e passamos a ser Portugueses de pleno, com direito á mais baixa taxa de produtividade da Europa! Isso aí são torresmos não são ?”, ou os próprios Espanhóis que, e só lhes ficavam bem, diziam “Por supuesto cono, Olivença é portuguesa, tenham paciência Olivences, sei que vão passar de cavalo para burro mas tem que ser. Somos gente séria! Contem com uns subsidiozitos para vos compensar do trauma, até para ficarmos bem com a nossa consciência pelo muito que sacámos deste pequeno território português, ainda assim maior que muitos países independentes. Não levem a mal... Olhem, boa sorte.”
Toda a cronologia e tudo sobre Olivença e a sua história pode ser sabido tim-tim por tim-tim em www.olivenca.org, o site dos amigos, que vêem no caso certamente uma excelente maneira de cá se ir andando.

sexta-feira, maio 16, 2003

Alguem mas noutra encarnação A carraça
Um homem vai num comboio a ler um livro comprado numa estação de serviço. O cheiro a gasolina atrai uma melga resistente ao ar condicionado que poisa em cima duma pinhoada de marca branca, precisamente no momento em que o homem a leva á boca. Entretanto, estação a estação, o comboio vai enchendo e várias pessoas vão ora ficando sem carteira, umas, ora retocando a maquilhagem, outras. Alguém repara então que o homem que lê tem uma carraça no nariz. Mas não é uma carraça. Há uma criancinha que começa num berreiro daqueles normais. Neste momento ninguém sabe que não é uma carraça, mas toda a gente pensa que é. Todos passam, reparam e ninguém diz nada porque ninguém tem coragem de dizer olhe desculpe mas não é uma carraça o que tem aí no nariz ? Pode ser uma carraça de estimação, diz o revisor alertado por um passageiro que entretanto lhe suja os sapatos com um vomitado verde pastoso mas sem cheiro. Será melhor não dizer nada e limpar-me antes os sapatos, continuou enquanto picava mais um dedo por engano. Mais á frente um jovem com uma camisola cor de rosa abriu uma das janelas e pôs-se debruçado do lado de fora, na esperança de ser colhido por um poste plantado mais perto da via férrea. Devido ao vento que entrava na carruagem, uma senhora começou a sentir falta de ar e tentou em vão acordar o marido que a seu lado sonhava ter uma pequena loja de encadernação de fascículos na Sibéria. Ouve-se um apito seguido dum pequeno estrondo e por uma das janelas do comboio entra um sapato de salto alto de senhora ainda com a etiqueta do preço por baixo. O revisor usa-o para estancar o sangue que lhe sai dos dedos. O homem que lê chega ao fim da página 68 e isso significa que a próxima estação é a dele. Fecha o livro e repara então que tem algo escuro na ponta do nariz. Tira uma pequena pinça de dentro do bolso da camisa e retira a partícula negra do nariz. Prova para ver o que é. Todos os passageiros olham-no com expectativa e neste momento o comboio passa por um poste plantado muito perto da linha férrea. Sabe a fruto seco mas ninguém para além do homem sabe. Na loja de encadernação surge uma cliente que em russo informa o dono da loja da morte da sua esposa. O encadernador não compreende o que a mulher diz mas presume pela cara de felicidade dela que sejam boas noticias e decide fazer saldos para comemorar. É um amendoim com mel. A criancinha continua a chorar e a mãezinha diz-lhe pronto filho pronto o senhor já comeu a carraça já passou, já passou.
"C'est l'histoire d'un mec qui tombe d'un immeuble de cinquante étages; au fur et à mesure de sa chute il se répète sans cesse pour se rassurer:
jusqu'ici tout va bien,
jusqu'ici tout va bien,
jusqu'ici tout va bien...
mais l'important, c'est pas la chute c'est l'atterrissage."
“La Haine”, Mathieu Kassovitz, Film français (1995)

quinta-feira, maio 15, 2003

Ter uma certeza qualquer
"Prova-o! Dá-me disso uma prova (...), já! (...) Faz-me ver isso ou, pelo menos, prova-o de tal maneira que a demonstração não dê aso à menor dúvida! (...). Preciso de uma prova. Uma prova, ouviste ? (...) Quem me dera ter uma certeza!".
Shakespeare (Otelo, Acto III, Cena III)
Mas (afinal) de onde é que apareceu esta gaja ?
Chiça!!! Está num comentário mas merece a 1ª página caraças!
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Aqui está finalmente uma ferramenta imprescindível para os iluminados com QI superior aos comuns mortais, e que não lêm as revistas do coração, mas encontraram finalmente uma forma excepcional de utilizar a tecnologia para se mostrarem e serem vistos pela comunidade virtual superior, sem serem pirosos, claro.
.Abençoados Blogs!
Agora já podemos ser como os outros, mas diferentes.
Confesso que estou tentada. Penso mesmo que não poderei mais ser respeitada pelo namorado nem pela familia se não demonstrar publicamente o meu Blogoego.
Efectivamente não me dou suficiente importância( alter ego...)
Somos também intelectuais virtuais, pois sim senhor.O Matrix tem muito que se lhe diga
Não só na terra como Céu! Amen
Podemos então soltar o nosso ego por esses fios e ligações de todo o mundo e acima de tudo, ver sem ser visto!
Pois vamos então despejar o nosso conteúdo e mostrar a capacidade literária e cultural a outros tantos iluminados quais voyeuristas de Big Brother para sobredotados. Apaziguados enfim e sem recorrer ao Psicólogo ( tá a ficar "out").
Até as caralhadas têm outro sabor.
São palavrões sim senhor, mas com cultura, nota-se logo a diferença.
Claro que a restante maralha não poderá alcançar o sabor da irreverência, de um humor espirituoso e intelectual.
Viva a irreverência pois dela será o reino dos iluminados, já que os outros são simplesmente broncos.
Um dia sem Blogar e já se nota o frenesim. Sim porque é mais barato que o Prozac, e tem um efeito muito mais terapêutico para o ego. Não somos carneirada não senhor!
Isso é para a camada dos shim shenores k papa as telenovelas e os reality shows.
E para os iluminados que no fundo também são gente (?) Afinal também há que aderir e Zás eis que já não és ninguém se não tens Blog, tal como revistas cor de rosa para classes incompreendidas.
Como é bom Blogar . Parafraseando o aberrante filme Titanic " I´m the King of the world", por instantes. Frustrante é olhar para o "tamanho" do próximo, que não resistimos mas nos deixa sempre com a sensação de que o nosso é mais pequeno, ou menos qualquer coisa... Perversamente voyeuristas, não ha´como escapar.
E como uma lufada de ar fresco, Blogemos enchamos os pulmões de ego que nos dias que correm bastante falta faz. Sempre ajuda a passar outras faltas e defeitos que não nos permitimos questionar.
São SOS´s da alma, mas com requinte e literados
Cada país tem o jet set que merece, e os intelectuais do tamanho dos seus metros quadrados.
"

quarta-feira, maio 14, 2003

Ainda assim, o que é preferível ?
Resultado da primeira grandiosa sondagem (poll) ou poll (sondagem) qualquer:
Passar fome!: 37,5%
Comer comida estragada!: 62,5%
Universo: 8 cliqueiros(as).
Á boca da urna: toda a gente se lembrava dum tal filme onde não sei quê a malta se comia uma á outra porque tinham caído de avião e não sei quê e que aquilo foi mesmo real e que depois tiveram que receber tratamento psiquiátrico.
Cabedal
Esta coisa de um gajo escrever e não ganhar nada com isso pode ser complicada. Convertendo-se em Euros o tempo que se despende nesta labuta, é só real prejuízo. Ganhar ganhar, ganha-se sempre alguma coisa ou alguma coisinha, um auto-enriquecimento interior se assim lhe quisermos chamar, um consolo que muito valorizamos. Coisa que só quem escreve compreende e sabe dar valor, principalmente quando olha para trás e vê o quanto enriqueceu porque quão parco foi aquilo que já escreveu há mais ou menos tempo. Uma espécie de evolução da espécie qualquer, uma mais valia muito intima que só á distancia do tempo reconhecemos.
Um gajo que se deixe de tretas e ganhe dinheiro com o que escreve, está bem porque não tem esta relação monogâmica e obsessiva com a escrita que a maior parte da maralha tem. Se ganhar bem, vender muito bem, então até põe o gerente de conta a ler e a pedir-lhe autógrafos fora da zona reservada para o efeito, o que é bom sinal.
Isto da escrita exige metade de inspiração, outra metade de jeito, e outra metade de experiência e nenhuma vocação para a matemática. Mas a metade de experiência de vida, é sem sombras a metade mais importante. A escrita e a experiência da vida enriquecem e ajudam-se mutuamente mas não coexistem pacificamente. Explico, que um gajo que escreva muito não pode obviamente viver muito e vice-versa. É que a escrita não é vida para ninguém, ocupa muito e ás vezes pode ser tão trabalhosa que se pode tornar numa espécie de 11ª praga do Egipto. Só mesmo para quem faça vida disto. E esses, os que comem e apresentam sinais de riqueza exterior á pala da escrita, dão-se ao luxo de comprar experiência porque têm tempo e capital para isso. É que são as experiências que dão origem á experiência que por sua vez dá origem ás letras que vemos impressas nos livros, blogs e afins. E as experiências hoje em dia quase que se vendem ao quilo, compram-se como quase tudo, é um mercado em expansão.
Uma gaja minha conhecida andava a ser engatada por um escritor que anda muito aí na berlinda. O tipo, casado, teria decidido ‘comprar’ uma experiência, investindo o seu tempo nela, solteira já algo fora do prazo e digo-o claramente convencido de que ela não lerá isto, e as amigas que diziam que tudo não passava de mais uma experiência do gajo que armado em vampiro queria ir beber da excentricidade e da experiência de vida da amiga solteira e depois mandá-la dar uma curva porque era casado e ainda por cima escritor. E dar-lhe umas quecas também antes da curva, está claro de se ver. Dor de cotovelo pensei. Mas, as gajas amigas além da dor, tinham razão, estou absolutamente convencido disso. Apesar do choradinho lamentável que o tipo tem feito, um show-off típico de escritor, a amiga que não é parva nenhuma, marimbou-se para o gajo antes que ele guina-se. Mas lá está, a situação decerto serviu de inspiração para o vampiro. Nunca se perde gota de sangue nestas situações e um escritor sabe sempre que nunca tem nada a perder quando se trata de conseguir inspiração. A esta hora deverá estar a ser confortado por outra experiência qualquer e nas horas livres, i.e. em casa enquanto a mulher faz a paparoca, está o gajo a debitar pró teclado mais umas quantas ideias que em breve serão convertidas em euros. As gajas deviam cobrar direitos de autor mas contentam-se pelo enriquecimento do currículo sentimental e saem com a sensação do dever cumprido, de terem causado a tal dor de cotovelo ás amigas que entretanto se perfilaram inutilmente debaixo da dentuça do vampiro.
Ora, há por aí muito boa gente a blogar, pior, a escrever sofregamente. Não falo de mim, que escrevo sofregamente mas porque fujo do horário de expediente que tenho que cumprir. Falo de quem parece não ter vida para mais nada que não seja escrever, manter 2,3 sabe-se lá quantos blogs em simultâneo, alguns com grande competência. Como é que conseguem ? Não ganhando supostamente massa com isso, como é possível tentar dormir, trabalhar, comer, e beber ocasionalmente umas bejecas e isto só para falar do mais politicamente convencional ? Ou seja, e espaço para a experiência, para essa loucura que é a experiência necessariamente gratuita para nós amadores, que nos dá cabedal para escrever ?

terça-feira, maio 13, 2003

Um nick qualquer, umas bocas e já está! A partir de agora, estou a mercê da crítica. Vou dormir!

segunda-feira, maio 12, 2003

Estado da blogação II
O fenómeno Blog tem uma extensão maior do que aquilo que inicialmente julguei. São aos milhares, aos milhões. Até gente respeitável como o abrupto Pacheco Pereira já tem blog e há por aí muito jornalista e politico a blogar mais ou menos á sucapa. Os blogs não são exclusivos de "malta meio marada" e "sempre com ideias". Veja-se o igualmente surpreendente O Meu Pipi que é muito mais do que uma avalanche de palavrões. É também uma avalanche de palavrões... E uma escalada ao topo do bom humor também. Se isto não é alpinismo nem liberdade, e de expressão ainda por cima, então não sei o que é. Não li os termos de adesão ao blogger mas convencido estava que algures existiriam cláusulas proibindo o uso do palavrão vulgo c*ralhada. Suspeitei que os gajos teriam um software multilingue qualquer que vasculhava a pente fino o que a malta escrevia e mais tarde ou mais cedo estavamos a levar com a marreta. Pois parece que não, mas continuarei a colocar os * nos sitios certos, pequena auto-censura que acho me fica bem.
Directamente do produtor...Visitor Q
O ultimo filme que vejo, começa com o pai a fornicar a filha adolescente e prostituta, e acaba com ambos a mamar nos seios da mãe também prostituta e toxicodependente. O que acontece no meio é algo parecido. O filme é japonês, é sobre uma família. Filme de culto á vista!
Ficção cientifica
Escrito por Sade (Marquês de), está a senhora Dolmène em convívio intimo com um dos seus amantes quando chega outro amante, dos seus mais fieis.
“- Que vejo! Traidora! Então é isso que me reservas ?
- Que diabo tens tu ? Não vejo nada que te moleste por demais; não nos incomodes amigo meu, e acomoda-te no que ainda te sobra; como bem podes ver, há lugar para dois.”