Por mais que me esforce, não me consigo imaginar na pele daquele gajo e descortinar o que passará naquela cabecinha. Passo a explicar, que por força da minha actividade profissional, desloco-me frequentemente a certo local que viu reforçada a sua segurança à entrada com mais um elemento. Segurança privada, típico, um gajo que curiosamente já fizera segurança no edifício onde trabalho, velho reconhecido. Ditaram então ordens superiores, que cada pessoa que ali entrasse, fosse quem fosse presumo, teria a partir de então de mostrar a sua identificação. Compreende-se, porque é local de muita devassa, muito turista perdido ali espreita porque aquilo por fora tem ar de casa apalaçada, museu, monumento nacional pela certa. Outra gente ali vai, entre eu e muitos outros anónimos ou não, por razões que desconhecerei ou que não serão para aqui chamadas. Mas eu sou habitué, assim como sou já conhecido do segurança, um gajo que impõe respeito, correctíssimo e com uma peculiaridades na linguagem e no trato que não passarão despercebidas ao utente do local. Há sempre uma troca de bacalhaus à entrada e um até breve à saída sem que isto signifique um tu lá e um tu cá que é compreensível não existir: “Como está... Cumprimentos lá ao senhor fulano.... E o senhor beltrano nunca mais o vi por aqui... Hoje está muito calor...” Logicamente, seria de supor, sendo eu pessoa conhecida já se vê, que o segurança, tendo eu dado prova mais do que uma vez da minha identificação, não me voltasse a pedir a mesma. Mas não, o homem, cumpridor escrupuloso das suas funções, não se duvide, lá me questiona, barrando-me discretamente a entrada. E não é preciso dizer nada que eu já sei. Bacalhau (se calhar é mais escamudo=peixe parecido mas que não é bacalhau, e que por vezes é vendido em alguns supermercados como sendo) e vai-se procurar a identificação na carteira. Há que fazer prova da identidade. “É assim que tem que ser e ordens são ordens e eles mandam e nós cumprimos”. Mas porquê ??!! Porquê ritual inútil e repetitivo ? Eu não sou da casa mas é quase como que fosse. O gajo não se lembra de mim ? Estive ali ontem. Ou é como o outro do “Memento” cuja memória, o conhecimento e a lembrança de pessoas e locais não ia além dos últimos quinze minutos ? Não compreendo este excesso de zelo, o que vai naquela cabecinha. É suposto pôr-mo-nos na pele dos outros para tentar compreender as suas motivações e as causas para determinadas atitudes. Exercício no qual julgo ter alguma habilidade. Mas neste caso, que começo a julgar perdido, não consigo. Em conversa com outros colegas, todos são alvo daquele mesmo zelo e quase todos já sentiram o horror de ali terem chegado um dia esquecidos da identificação: “hoje passa mas da próxima vez...!”. Alguns que até têm inclusive confiança com o gajo segurança ao ponto de discutirem sobre bola, carros, bola e carros (!) A inutilidade é coisa que emprega muita gente neste país. Acredito que deve haver funcionários públicos em Ministérios cuja tarefa será simplesmente estarem sentadinhos junto às portas levantando-se para as abrir e fechar à passagem dos senhores da casa. E o pior é o excesso de zelo na inutilidade e na autoridade do qual é exemplo cómico aquele segurança.
Quando entro no Blogger, ele reconhece-me. Inseri uma vez a password, identifiquei-me uma vez e a máquina desde então nunca mais me pediu identificação. E nunca lhe dei um bacalhau...
Icone 4.0
Parto difícil
Os Caroços
Depurar
Ícone 3.0
"C'est l'histoire d'un mec qui tombe d'un immeuble de cinquante étages; au fur et à mesure de sa chute il se répète sans cesse pour se rassurer:
Visitor Q
Ende de oscar gous tu II
Marilyn
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Figo
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Turd fun
