quarta-feira, junho 11, 2003

Maldita mania das fotos em macro!Icone 4.0
Acho que deve ser caso único na medíocre história da humanidade. Uma gaja com um apelido italiano faz uma aparição num filme, não mais de dez minutos, e na Premiere portuguesa aparece na capa, à frente dos dois principais protagonistas. Compreenda-se o espanto. É que na Maxmen a rapariga tem honra de capa porque merece. Agora, a Premiere, é cinema senhores! Falo de Monica Bellucci, do Matrix, e está tudo explicado e perdoado. No próximo Matrix, ao que parece, a actriz, que já foi considerada (e com ampla razão) a mulher mais desejada do planeta, terá um maior protagonismo ficando-se na dúvida sobre se os irmãos Wachowski vão saber aproveitar aquela curvilínea matéria prima e saber brindar-nos com uns planos à maneira, que são, como se sabe, os planos favoritos da malta.
O que mais aprecio na Monica, para alèm do seu apelido, é o facto de dar toda a impressão de ser uma rapariga que não consome revistas femininas. Como dizia uma colega minha, aquele tipo de literatura está cada vez mais degradante e resumido, apostado apenas em "ensinar" as mulheres a excitarem os homens. Um sentido de missão honroso e util, não duvidemos para um sem números de camaféus e gajas fatelas que infelizmente se passeiam por aí fora. E a julgar pelas tiragens desse tipo de pasquins, quantas mais não estão entre quatro paredes. Como dizia muito bem a minha avozinha, "há coisas que não se ensinam". Digo eu que "a Mónica sabe-a toda". E nós gajos, damos muito valor a gajas assim, que até parece que já nasceram ensinadas.
A Monica também entra de carne e osso no jogo para PC, baseado no Matrix, onde podemos vê-la aos beijos (a cena é a mesma que no filme com o Neo) mas com aquela capitã Niomi (creio não ser este o nome, mas é algo parecido). Do quarto das amigas para os filmes do David Lynch, das telenovelas da globo para os jogos de computador, o lesbicismo (é assim que se diz ?) é um fenómeno interessante e excitante, e que facilmente se generalizará nos próximos anos, não duvido. Há público e a malta gosta. O heterosexualismo (é assim que se diz ?) também começa a ser um fenómeno.
Dor na barriga
Tinha alguma curiosidade em provar comida africana e um dia destes, daqueles dias em que se está com tanta fome que venha o que vier marcha, arrisquei e mandei vir o prato do dia, moambada.. Rapidamente descobri que a carne vinha acompanhada de uma matéria gelatinosa e viscosa, à vista, uma espécie de cruzamento entre alforreca e massa de silicone transparente para vedar loiças de casa de banho! Aquilo é intragável! Mas é mesmo, não estou a exagerar. E qual experiência filosófica o tanas! Paguei 7 euros que me lixei que o dono do restaurante não tem culpa das minhas niquices.
Feira
Volto à Feira do Livro pela segunda vez este ano, hoje de propósito para comprar o livro do dia da Editora Guimarães (das primeiras barraquinhas do lado esquerdo para quem sobe). Termos editoras que editam livros de autores como Nietzsche ou António Pocinho é actualmente a única coisa que nos distingue dos países do terceiro mundo. E por falar em Pocinho, a mui nobre editora Fenda não tem direito a barraquinha este ano. Há três anos seguidos que o “Elucidário Sexual” se mantinha naquelas bancas a 500 paus, a prenda ideal para oferecer às sogras deste miserável país. Este ano os livros da Fenda estão nas barraquinhas da Cotovia (as primeiras barraquinhas do lado esquerdo quem desce).

sexta-feira, junho 06, 2003

Sentido da Vida #2
Inconfundível com a Arrábida do Porto, o Portinho da Arrábida é um dos locais pequenos mais belos e inspiradores. Quem lá for ao princípio da noite, tipo fora de horas, irá perceber porquê; logo a começar pela vista do caminho até lá abaixo. É pena que aqueles restaurantes, que matam o bater das ondas, mais pareçam cais de embarque abandonados forrados a espelho e azulejo, e que no mar nunca consigamos ver os golfinhos que a tabuleta no estacionamento promete. O Portinho fica cedo sem sol, sem saladinhas de polvo, mas também sem gente. Fica apenas o indispensável e um cão ‘serra da estrela’ que dorme como um gato.

Filha
Já me começa a fazer falta um jogo novo...
Pai
E para que queres tu o jogo ?
Filha
Para jogar.
E porque é que não se consegue comer o raio duma bifana inesquecível ?

quinta-feira, junho 05, 2003

Destino
Não acredito no destino. Não acho que algures alguém alguma vez se tenha dado ao trabalho de traçar o destino de alguém. Cada um constrói o seu e já vai com muita sorte. Qual “era o destino, tinha que ser” qual carapuça! Nalguns casos ou se tem azar ou sorte, ou então não se tem nem uma coisa nem outra e vai-se desta para melhor.
Cada um constrói ou destrói o seu próprio destino e os destinos reluzentes ou em ruínas podem cruzar-se, influenciar-se, pedirem matéria prima uns aos outros...
É que o destino está sempre em construção ou remodelação e acenta sobre os poderosos pilares das decisões que tomamos perante o imprevisto ou o previsivel. E tomamos milhares de decisões por dia. Aparentemente as mais importantes são aquelas, uma ou outra, que podem previsivelmente influenciar o nosso destino. Mas é só aparentemente. Enquanto escrevo, tomo repetitivamente a decisão sobre qual será a palavra, a letra seguinte. Tomo repetitivamente a decisão de voltar ou não voltar atrás, reler, apagar, ou continuar, caminhar para o absurdo, filosofar, ajavardar, decisões atrás de decisões mais ou menos conscientes que vão influenciar o meu destino, por mais insignificantes que possam parecer. Se demorar mais um ínfimo segundo que seja nisto, será o suficiente para quando daqui a pouco me levantar e quiser ir lá abaixo ao pequeno almoço, já não ir naquele elevador que irá avariar-se entre o 1º e o 2º andar. Descerei pelas escadas, tropeçarei num atacador e cairei desamparado nos braços duma cadeira que estava ali a arranjar. Partirei duas costelas. Na ambulância, a caminho do hospital, uma fulana da Cruz Vermelha, que preenche um boletim de totoloto, toma a decisão de me pedir seis números. Eu tomo a decisão de lhe dizer uns números quaisqueres enquanto reparo como ela não é mesmo nada de especial. Se fosse uma gaja boa tinha dito números provavelmente completamente diferentes (o número do meu telemóvel por exemplo...) mas assim sai-lhe o primeiro prémio da semana seguinte e eu nunca chegarei a saber.
Percebe-se a sequência, como todas as decisões podem influenciar outras decisões, destinos e vidas, e interligarem-se num pequeno caos de micro e macro acontecimentos e situações. Está tudo em aberto ao encontro do acaso, sorte e azar, aguardando decisões, opções e vontades que despoletarão outras, vários rastilhos que se cruzarão em novos sentidos.
Vou neste momento deitar fora a pastilha, que mastigo, já sem sabor. No lixo será lixo. No sapato de alguém será o destino.
Está tudo por escrever.

segunda-feira, junho 02, 2003

Hoje uso o do meio que me fica bem com a franjinha! Parto difícil
Por detrás dum comportamento rebelde e provocatório, excitante, por vezes corajoso e surpreendente, está o desejo latente duma estúpida e assustadora normalidade, que se manifestará mais tarde ou mais cedo de forma dolorosa para quem está ao lado fascinado com o toque.


sexta-feira, maio 30, 2003

Ficas com os carocos e eu com a pele, certo ?Os Caroços
Uma menina está a brincar à malha sozinha e ninguém está a reparar nela. Entretanto ouve um gritinho e vira-se, pensando que seja uma das suas amigas imaginárias querendo desconcentrá-la. Era uma outra menina que tinha acabado de pisar um gafanhoto daqueles grandes e castanhos. A menina continuou com o seu jogo da malha, ao pé cochinho, baixando-se para apanhar a pedrita que momentos antes tinha atirado para a frente. Descobre que afinal não se trata duma pedrita coisa nenhuma, antes um caroço de damasco. Abana-o e repara que não faz toc-toc como faz a caixa de anti-depressivos que a mãe tem secretamente escondida na cafeteira eléctrica. A outra menina, que entretanto se tinha entretido a observar as formigas que agora devoravam o que restava do gafanhoto espezinhado e que ainda esperneava, aproxima-se e começa a apagar, maldosamente, os traços no chão do jogo da malha, enquanto cantarola uma musica baseada em factos verídicos. Era mesmo maldosamente porque sempre que fazia algo por maldade, a menina punha a língua de fora e tentava com a mesma chegar a uma verruga com a forma dum paralelipedo, verruga essa bem saliente e que tinha na face mesmo ao lado do nariz, assim como quem vai na direcção do olho direito. A menina do caroço de damasco na mão pergunta-lhe, olha lá, achas certo o que estás a fazer ? E a outra responde, enquanto não encontrar o caroço de damasco que perdi ontem quando estava entretida a fazer uma lobotomia a uma borboleta, mais ninguém que esteja perto de mim, num raio de 10 metros, terá sossego na vida!! A menina do caroço de damasco na mão, discretamente faz muita força para apertar o caroço e assim o esconder. Mas a outra, que tinha ténis novos e não via a hora de os saber calçar sozinha, desconfiou e disse olha lá porque é que continuas ao pé cochinho, se já te apaguei os riscos todos do chão ? És tola ou quê ? A outra ficou tão corada com aquela observação que disse, a minha mãe está a chamar-me, tenho que ir antes que o meu pai lhe grite para gritar mais baixo. A gritaria era quase infernal mas não era diabólica. Era assim, Oh Mariiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia, Oh Mariiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia. Nisto disse a menina da verruga, de facto, só me podes estar a esconder alguma coisa porque a Maria aqui sou eu e mais ninguem. Nisto mostrou à outra uma folha de papel com uma redacção da escola com o titulo “O meu nome é Maria graças a Deus”, e continuou, palpita-me que deves saber onde está o meu querido caroço. A menina do caroço de damasco na mão passou de corada a branco natureza porque entretanto a outra começou a pintá-la à trincha com uma tinta plástica hidrosolúvel. Antes de levar uma pincelada na boca, ainda teve tempo de dizer, não era melhor ires para casa antes que gastes a tinta toda aos homens na Junta Autónoma das Estr... (?) Começa então a chover, e no chão forma-se um imenso lago branco, pois a terra, saturada com as chuvas daquele mês, não absorve a água da lata e a tinta da chuva. Subitamente no local onde estão as meninas, pára de chover. Uma grua faz passar por cima delas um espelho gigante destinado ao tecto do quarto anão duma vizinha que dá nas vistas, que vive sozinha raramente no 18º direito. As meninas olham e observam as suas imagens reflectidas lá em cima, duas pequenas faces no meio do branco natureza, faces que iam no entanto ficando cada vez maiores, cada vez maiores, cada vez maiores, cada vez maiores, cada vez maiores... Ficam tão fascinadas com o que presenciam, que começam de imediato a correr da li para fora. Na atrapalhação da fuga, o caroço de damasco cai das mãos da menina que o tinha, logo seguido do enorme espelho que, no entanto, era à prova de bala, logo, no chão, apenas se partiu em quatro partes. Passado mais ano menos ano, depois de todo aquele bairro ter sido demolido e o entulho sido traficado para um país que ninguém desconfia, uma das meninas, agora mulher, é lascivamente acariciada na sua borbulha, agora em forma de cone, naquele mesmo sítio, debaixo duma árvore, quando um damasco lhe cai em cima da cabeça e se abre em quatro partes. Do seu interior salta o caroço para as suas mãos e diz, não me reconheces ? sou o teu caroço caraças! olha, o meu caroço, como terá vindo aqui parar ? Não olhes para mim, diz a outra com um caroço de nêspera escondido na mão.

quinta-feira, maio 29, 2003

Panadas de Postas de Pescada
"Os Blogs estão na moda..."
Depurar
A verdade é que a mariquice das sondagens (poll) aqui no blog revelou-se um fracasso ainda maior que o próprio blog em si. Estava-me já a fazer ao Jaguar mas não tive sorte nenhuma. Se a primeira sondagem ainda teve 8 cliqueiros, esta ultima sobre se seria preferível acreditar na vida antes ou depois da morte, merecia até à data apenas um clic, um desprezível clic. Como esta e outras ‘features’ só servem para atafulhar as templates de código e tornar as páginas mais lentas, decido retirá-la do ar. As audiências assim obrigam. É uma decisão irredutível. E só um abaixo assinado com mais de uma assinatura ou a proprietária da cervejaria ali em baixo aceitar a minha sugestão de haver uma ‘happy hour’ todas as sextas a partir da 17h me fará voltar atrás.
Além das sondagens, já retirei outro lixo que tinha colocado, deslumbrado que estava com estas mariquices todas que desconhecia existirem. Continua lá mais abaixo o bonequinho com a informação meteorológica que acho querido (não são só as gajas que têm direito a utilizar estes adjectivos!). Muda de roupa de vez em quando, aparecem nuvenzinhas, o sol, a chuva e houve um dia que, para gáudio dos fans, tirou os óculos escuros!!
Voltando ao tema desta ultima sondagem, julgo que o fracasso deveu-se à incómoda pergunta. Basta falar de morte para sentirmos desconforto, começarmos a pensar em carretas funerárias, varizes, amendoins com sabor a mofo, ‘talk-shows’ e morgues, enfim, aquele tipo de pensamentos que na nossa adolescência os nossos amigos mais velhos nos aconselharam a ter durante a nervosa e sempre precoce primeira vez. As questões a sondar deveriam ser mais comerciais. Tenho a certeza que uma pergunta do género “Concorda com a afirmação de Francesco Alberoni segundo a qual Nietzsche tinha consciência de que era louco ?” seriam um sucesso; o número de hits no meu blog disparava para números astronómicos e não tardaria a estar sentado na cadeira dum qualquer conselho de administração e a pedir pelo intercomunicador “tragam-me mais morangos com chocolate derretido s.f.f.”. Mas eu não sou comercial. Sou daquele tipo de gajo que nunca põe saldos e jamais entrará em liquidação total. Quanto muito faz descontos especiais, mas nem sempre a quem merece, infelizmente. Mas gosto terrivelmente de morangos. Já se está a ver o conflito institucional que há em mim...
Espero ter ainda muitos anos pela frente para poder falar da morte e parar de vez em quando nas bombas de gasolina para encher os furos lentos do meu carro. Na realidade já prometi a mim mesmo que quando o meu blog fizer o seu primeiro centenário, publico uma entrada com a palavra morte escrita em todas a línguas; trabalho de investigação que desde já me comprometerei a fazer mal me instale no nono círculo...
Eu não acredito na vida depois da morte e acho uma perda de tempo colocar-se sequer semelhante hipótese. Por isso, apesar de todas as contrariedades, tento acreditar ao máximo na vida antes da morte e que estará para breve um boom bolsista que nos vai salvar a todos.
Concordo com o Woody Allen, que diz assim mais ou menos, “não tenho medo da minha morte mas quando isso acontecer, não quero lá estar.” Acrescento que se alguma vez morrer, tenho a certeza que depois, onde quer que esteja, serei facilmente confundido com uma formiga ou qualquer outra bicharada que comigo morra nesse dia. Eu e toda a gente seremos confundidos. Não me confundam é com o Alberoni.

quarta-feira, maio 28, 2003

Recarregado
Fui ver o Matrix Reloaded. O filme começa de forma espectacular, com a Trinity a atirar-se da janela dum arranha-céus, indo desamparada aos tiros por ali abaixo com um dos maus; isto mostrado em camera lenta e com todo o detalhe. Mas depois, o 2º Matrix tem 20 ou 30 minutos bastante assustadores. Em Zion, a cidade real (de realidade), há conselheiros, políticos, generais, traições, mães de família carentes e rave partys. Tirando a parte da rave, aquela penosa meia hora em muito me fez lembrar toda aquela intriga política e mesquinha, aqueles conflitozinhos hierárquicos que há nos novos ‘star wars’. E há aquela conversa lamechas e demodée do ‘the choosen one’, que tinha esperança não fosse aprofundada neste 2º capitulo. Enganei-me. Foi-lhe dito que por artes divinas ele era o escolhido e o fulano neste capitulo já não tem disso dúvidas. Tão convencido que está que a determinada altura só à segunda consegue engatar um beijo como deve ser na Monica Bellucci (faz de mulher dum traficante de informação)! Desnecessário mesmo era vermos os esfarrapados pobres de espirito de Zion (o povo) ajoelhando-se com velinhas, oferendas e pedidos aos pés de Neo. Nem ali a malta tem juízo! Uma religiosidade que é depois levada ao cumulo do ridículo com o discurso inflamado de Morpheus dirigido ás massas antes de abrir a discoteca ‘underground’, à boa maneira ‘MTV live’ só que com muito mais calor e esfreganço, tudo salpicado com umas cenas tórridas de entremeio entre o Keanu Reeves e a Carrey-Ann Moss.
Mas o filme encarrila e acaba por ser um ilustre sucessor do 1º. Com porrada a rodos, tudo muito bem coreografado e sincronizado, muito pouco sangue e óculos inquebráveis... É limpinho! Mas um excelente elixir para os olhos, e acima de tudo, consegue pôr-nos os neurónios ás voltas com a filosofia matrix tornando tudo ainda mais complexo, como se fosse possível depois do primeiro capítulo.
Um surpreendente delírio visual e mental que vale todos os cêntimos do bilhete de cinema das segundas feiras.

terça-feira, maio 27, 2003

Aqui sou mesmo eu... mas nao digam a ninguem!Ícone 3.0
Quando surgem no mercado bocas e cenas escabrosas sobre gajas públicas e altamente desejáveis a todo o custo, fica-me sempre no ar a dúvida sobre o real alcance e objectivo do mexerico. Não duvido que por vezes tratam-se de golpes de marketing pensados ao milímetro pelas próprias visadas enquanto a maralha os consome julgando tratarem-se de verdadeiros escândalos, pequenos fins do mundo que alimentam o imaginário da malta sempre á espera da próxima. Sacanice à séria ou sacanice a brincar (golpe de marketing), no final de contas há sempre uma mais valia para as protagonistas e para os tablóides que ajudaram à festa. Gajas como Pamela Anderson ou Madonna, são algumas das que vão passando e facturando enquanto os cães ladram. Os escândalos e a má língua só vêm fazer jus à máxima “falem bem ou mal de mim, mas falem caraças!”
Tem circulado aqui pela Internet um já celebre mail com um ficheiro vídeo onde supostamente se veria a Fernanda Serrana armada em vedeta porno. A rapariga lá demonstrou a indignação da praxe desmentindo tudo, que não tinha sido ela a protagonista da gemideira. A guardiã TVI investigou a origem e conteúdo das imagens, recrutando para o efeito, diz-se, os maiores peritos em p0rnografia do país entre frequentadores dos peep-shows da capital, retirados do olímpia e coleccionadores de pequenos anúncios eróticos. Rapidamente se chegou á conclusão que a artista do ficheiro vídeo era uma actriz p0rno qualquer dum qualquer país de leste.
Confesso que até aqui nunca tinha reparado na Fernanda Serrano. Não é loura, nunca apareceu descascada na Maxim (Super Maxim ou whatever) e a TVI parecia ter o exclusivo da sua imagem telenovelizada, canal e programação que por norma não vejo... Do que sabia (via) dela eram aqueles anúncios do BPI onde a rapariga publicitava produtos financeiros. Para um gajo em falência técnica como eu, sempre achei aquele tipo de anuncio ofensivo, considerando-o como mais uma brincadeira sem graça ao estilo “isto só vídeo”. Ou seja, a Fernanda (nem o nome ajudava) não me dilatava um micro-milimetro sequer da pupila.
Mas esta coisa do mail p0rno, como qualquer outra sacanice de gajas públicas, fez de mim mais uma vítima. Foi ver-me uma noite destas a teclar entre aspas o nome da actriz na caixinha do ‘procurar’ do google. Sim, procurava mais informações sobre o vídeo, que é como quem diz, o próprio o vídeo (ficheiro .mpeg, .avi, desde que mexesse!). Um amigo meu já o tinha e mandava-mo por mail de boa vontade... Mas a minha caixa de mail só tinha disponível pouco mais de 0,5 Mb. A opção era apagar importantes ficheiros (!) ou abrir de propósito uma conta de mail para receber o vídeo da Serrano, opção que além de dar trabalho não me parecia eticamente correcta dado tratarem-se afinal de uns míseros segundos de pagode, provavelmente com uma qualidade de imagem dúbia. Daí a minha busca, a ver o que dava no google. E deu... Não encontrei o famigerado vídeo mas encontrei mais uma das mulheres mais bonitas que há memória, o que só veio mais uma vez comprovar a minha teoria segundo a qual, o país com as mulheres mais bonitas do mundo é sempre aquele onde estou de momento!
O golpe final deu-se quando entrei num site que, apesar de não ter sido por mim explorado como talvez merecesse, pareceu-me fazer uma apologia inocente e com bom gosto da Fernanda, exibindo numa das suas páginas diversas fotografias, qualquer uma delas, fazendo esquecer a imagem banalmente mediatizada da actriz/modelo e mostrando-nos uma mulher versátil e de uma beleza sofisticada, assim mesmo como a malta gosta. Não resisti e publico aqui, com a devida vénia, ‘a foto’ da Fernanda Serrano que julgo melhor ilustrar o que escrevo.
Ou seja, Fernanda, garantimos-te, se o que te tentaram fazer foi uma sacanice a sério, não calculam o favor que te fizeram. Como eu, quantos gajos não haverá por esse país fora, que foram inevitavelmente encalhar naquele ou noutro site de tributo á tua beleza, e perante ela não ficaram rendidos ?
E agora vou parar de escrever. Está quase a começar o “Amanhecer” e além disso tenho que preencher aqui a papelada para abrir conta no BPI.

quinta-feira, maio 22, 2003

Bufos & nus
O país está atrasado e assim não vai lá. A ultima que soube ilustra bem a falta de qualificação e formação profissional que grassa por estes arrabaldes. Numa escola secundária aqui da zona, um miúdo foi apanhado dentro da casa de banho própria para miúdos, calças em baixo, de playboy e pila, respectivos exemplares em cada mão. Uma auxiliar de educação bufa, depois de ouvir uns "barulhos esquisitos", apanhou a intrometida, o miúdo em flagrante mas legítimo delito, e denunciou-o de imediato á direcção da escola que aplicou ao efebo 2 (dois) dias de suspensão. Esta sentença aviltante que muito merecia vir escarrapachada no telejornal da TVI devia deixar-nos a todos indignados e fazer-nos reflectir sobre o cinismo que grassa até entre as auxiliares de educação. O jovem não tinha antecedentes, não estava numa via publica (logo não podia constituir um crime de atentado ao pudor), não estava na casa de banho dos professores ou das miúdas (logo não podia constituir uma excitante perversão) e praticava um acto reconhecidamente normal e próprio de qualquer idade (logo podia chamar em sua defesa testemunhos de figuras tão proeminentes como Júlio Machado Vaz) . Perdeu o jovem dois dias sabe-se lá de quão preciosas aulas, vitima da ignorância daquela auxiliar, que tinha a obrigação de estar preparada para situações como aquelas, e ao invés, feita histérica e armada em pudica, correu sabe-se lá com que abominável ligeireza até ao famigerado Conselho Executivo, onde os juizes de ocasião apenas demonstraram serem igualmente possuidores de falta de formação profissional, ao não condenarem antes a ingerência da rasca serviçal. É sempre o mais fraco que se lixa!
Se isto fosse o blog do pipi o mais provável era aquando do flagrante a história prosseguir um rumo pornográficamente normal mas quicá saudavelmente inesquecível para os intervenientes, i.e. a auxiliar fazia companhia ao jovem ou até mesmo dar-lhe-ia uma ajudazinha. Mas como não é, escreve-se aqui que a atitude correcta daquela auxiliar coitada era, obviamente, confrontada a embaraçosa situação, achar piada e dizer: "Olha eu vou sair, vou fingir que não vi nada. Mas sugiro que de futuro, para a escola tragas apenas os livros, e que faças o que estás a fazer na intimidade do teu lar." E o assunto ficava por ali. Não seria a resposta correcta e bem preparada duma auxiliar de educação bem qualificada para lidar com estas situações extremas ? Tirando o Pine Cliffs no Algarve, o mundo não é um lugar perfeito, assim como não há respostas perfeitas, comportamentos ou, tirando a Marisa Cruz, coisas perfeitas. Mas é assustador notar-se o quão fácil e cinicamente condenável pode ser este tipo de atitude de WC desviante mas afinal tão humana.
Vem-me á memória aquele ‘ganda maluco’ que numa manifestação de requintada boa disposição, entrou no principio da 2ª parte duma final de futebol, campo a dentro, mostrando o cartão vermelho ao arbitro para logo de seguida se despir e começar aos pontapés na bola. O fulano deve ter certamente ganho uma aposta qualquer, mas ficará sujeito ao mesmo tipo de cinismo de que foi alvo o jovem canholeiro da escola secundária. Sabe-se lá que sentença, quantos dias de prisão substituídos por multa levará um gajo que ao contrário de muito doente pervertido, não fez nada ás escondidas antes pelo contrário, desarmado e inofensivo, (apenas) contribuiu para fazer história naquele jogo, provocando um momento hilariante de ‘enterteinment’ à escala mundial. Ou acham que no futuro aquela final vai ser lembrada como mais uma final que o Porto ganhou ? Claro que não! Toda a gente vai lembrar-se da cena do gajo nu. Enquanto na escola, toda a gente vai lembrar-se de fechar a porta da casa de banho á chave, antes...
O Porto é uma cidade!*
* Presidente da república, primeiro ministro, 5 ou 6 ministros, vários secretários de estado, cerca de 40 deputados de alguns partidos, entre a assistência convidada pelo FCP para o jogo de ontem. Compreendo agora a tara desesperante dos clubes em quererem construir estádios novos e maiores. Bom senso teve a malta do Bloco de Esquerda que fez questão de afirmar que não tinha sido convidada mas mesmo que o fosse não punha lá os pés! Isto é que são verdadeiros Benfiquistas!!
* Foi engraçado notar que depois do jogo, após a fase mais exuberante da festa da entrega da taça, os jogadores do Porto já não sabiam o que fazer á mesma. A certa altura é visível a atrapalhação do Vitor Baia sem saber se a deixava ali na relva ou se a carregava ás costas até ao balneário. É que o homem estava desejoso de se pôr a imitar os pinotes do Mourinho. Por sorte havia ali um gajo de bigodes por perto, que lá carregou com ela.
* No tempo em que o Eusébio ganhava taças, era vê-lo agarrado a elas aos beijos e abraços. Eram menos pesadas é certo mas o homem era capaz de dar meia dúzia de voltas ao estádio com uma taça, e diz quem sabe que para a arrancar das mãos, tinha que ser sempre sob ameaça de o porem a jogar no Porto. Grande Eusébio!
* Em vez da taça, a cerimónia podia ser substituída pela entrega do cheque. Imaginemos, um cheque com os prémios de jogo ou seja, muitos cheques colados uns aos outros que formavam um cheque gigante. Os jogadores e os árbitros no final da final só tinham de separar o respectivo pelo picotado e depois podiam dar as cambalhotas que quisessem sem o perigo de deixarem cair um monte de prata com 15 quilos em cima das botas. Podiam até dar voltas ao estádio acenando os cheques ao público que retribuiria acenando com os guardanapos onde tinha trazido embrulhados os couratos. Seria mais bonito.
* P.....ara.......béns! Já disse, pronto!

quarta-feira, maio 21, 2003

O Friedrich é que sabe
Há factos de carácter tão delicado que convém encobri-los e torná-los irreconhecíveis por meio duma grosseria; há certas manifestações de amor e de uma generosidade exuberante, depois das quais nada há de mais aconselhável do que pegar num bastão e dar uma sova à testemunha ocular: assim se turva a sua memória.”, Nietzsche, “Para Além de Bem e Mal

terça-feira, maio 20, 2003

Sentidos para a vida: Olivença
Descobri ontem um desígnio nacional esquecido. O nome Olivença não me era estranho. Sempre julguei tratar-se duma qualquer terriola meio alagada pelo Alqueva e perdida ali por detrás dum monte alentejano qualquer mandado restaurar por uma qualquer vedeta do jet-set televisivo. Não foi bem assim o que imaginei, mas acho que fica bem escrever assim. Na realidade o nome Olivença não me dizia absolutamente nada, e se me perguntassem ontem antes do meio dia onde ficava, eu dizia que ficava algures no Alentejo, e depois provavelmente até seria levado a perguntar se o nome da terra era mesmo aquele, se não seria antes Oliveiça... Isto é pura ignorância, confesso. Qualquer português que se preze devia saber de cor o nome de todas as terras que lhe foram usurpadas ilegalmente por essa malta que só tem feito má vizinhança e dá pelo nome de Espanhóis.
E Olivença é um desses casos como os há muitos, de violação flagrante do direito internacional. E qualquer dia são tantos que alguém terá de fazer o favor de arranjar uma nova designação que esta de tão gasta tem os dias contados. A região de Olivença sempre foi meio nossa, meio espanhola, meio árabe, meio de outros ocupantes políticos e militares da península ibérica, e se calhar pouco foi dos que lá viviam. O que é certo é que em determinada altura ela, a região de Olivença que ainda é tão ou maior que a península da margem sul (zona entre Setúbal e Lisboa, englobando os concelhos do Seixal, Almada, Sesimbra e Barreiro), foi nossa de papel passado e tudo. Ora naqueles tempos um papel passado tinha tanto valor como um gajo passado (daí a origem do nome). E com miufa dos Espanhóis que naquele tempo andavam com os Franceses ás cavalitas, lá lhes cedemos aquelas terras de perder a vista depois de Elvas, do outro lado do Guadiana. Só que os Espanhóis marimbaram-se para o que estava estabelecido, e queriam mais. Ai é, então não levam nada e passem para cá Olivença! Tudo se resolveria a bem com novo tratado anos mais tarde, onde o raio dos Espanhóis reconheciam o direito de Portugal a Olivença e prometiam devolver aquelas terras ao nosso mapa.... Até hoje!
Isto arrisca-se a ser uma causa não só esquecida como também perdida. É uma questão de direito internacional, mas o direito internacional é cada vez mais uma cantiga de embalar países pequeninos. Qualquer re-anexação na prática só se concretizaria de duas maneiras e qual delas mais remotamente impossível. Ou eram os próprios Olivences que diziam “Porra estamos fartos de comer tapas e tortilhas e já temos saudades dum bom cozido á portuguesa. Não nos importamos de deixar de pertencer a Espanha, país com um nivel de vida muito superior e passamos a ser Portugueses de pleno, com direito á mais baixa taxa de produtividade da Europa! Isso aí são torresmos não são ?”, ou os próprios Espanhóis que, e só lhes ficavam bem, diziam “Por supuesto cono, Olivença é portuguesa, tenham paciência Olivences, sei que vão passar de cavalo para burro mas tem que ser. Somos gente séria! Contem com uns subsidiozitos para vos compensar do trauma, até para ficarmos bem com a nossa consciência pelo muito que sacámos deste pequeno território português, ainda assim maior que muitos países independentes. Não levem a mal... Olhem, boa sorte.”
Toda a cronologia e tudo sobre Olivença e a sua história pode ser sabido tim-tim por tim-tim em www.olivenca.org, o site dos amigos, que vêem no caso certamente uma excelente maneira de cá se ir andando.

sexta-feira, maio 16, 2003

Alguem mas noutra encarnação A carraça
Um homem vai num comboio a ler um livro comprado numa estação de serviço. O cheiro a gasolina atrai uma melga resistente ao ar condicionado que poisa em cima duma pinhoada de marca branca, precisamente no momento em que o homem a leva á boca. Entretanto, estação a estação, o comboio vai enchendo e várias pessoas vão ora ficando sem carteira, umas, ora retocando a maquilhagem, outras. Alguém repara então que o homem que lê tem uma carraça no nariz. Mas não é uma carraça. Há uma criancinha que começa num berreiro daqueles normais. Neste momento ninguém sabe que não é uma carraça, mas toda a gente pensa que é. Todos passam, reparam e ninguém diz nada porque ninguém tem coragem de dizer olhe desculpe mas não é uma carraça o que tem aí no nariz ? Pode ser uma carraça de estimação, diz o revisor alertado por um passageiro que entretanto lhe suja os sapatos com um vomitado verde pastoso mas sem cheiro. Será melhor não dizer nada e limpar-me antes os sapatos, continuou enquanto picava mais um dedo por engano. Mais á frente um jovem com uma camisola cor de rosa abriu uma das janelas e pôs-se debruçado do lado de fora, na esperança de ser colhido por um poste plantado mais perto da via férrea. Devido ao vento que entrava na carruagem, uma senhora começou a sentir falta de ar e tentou em vão acordar o marido que a seu lado sonhava ter uma pequena loja de encadernação de fascículos na Sibéria. Ouve-se um apito seguido dum pequeno estrondo e por uma das janelas do comboio entra um sapato de salto alto de senhora ainda com a etiqueta do preço por baixo. O revisor usa-o para estancar o sangue que lhe sai dos dedos. O homem que lê chega ao fim da página 68 e isso significa que a próxima estação é a dele. Fecha o livro e repara então que tem algo escuro na ponta do nariz. Tira uma pequena pinça de dentro do bolso da camisa e retira a partícula negra do nariz. Prova para ver o que é. Todos os passageiros olham-no com expectativa e neste momento o comboio passa por um poste plantado muito perto da linha férrea. Sabe a fruto seco mas ninguém para além do homem sabe. Na loja de encadernação surge uma cliente que em russo informa o dono da loja da morte da sua esposa. O encadernador não compreende o que a mulher diz mas presume pela cara de felicidade dela que sejam boas noticias e decide fazer saldos para comemorar. É um amendoim com mel. A criancinha continua a chorar e a mãezinha diz-lhe pronto filho pronto o senhor já comeu a carraça já passou, já passou.
"C'est l'histoire d'un mec qui tombe d'un immeuble de cinquante étages; au fur et à mesure de sa chute il se répète sans cesse pour se rassurer:
jusqu'ici tout va bien,
jusqu'ici tout va bien,
jusqu'ici tout va bien...
mais l'important, c'est pas la chute c'est l'atterrissage."
“La Haine”, Mathieu Kassovitz, Film français (1995)

quinta-feira, maio 15, 2003

Ter uma certeza qualquer
"Prova-o! Dá-me disso uma prova (...), já! (...) Faz-me ver isso ou, pelo menos, prova-o de tal maneira que a demonstração não dê aso à menor dúvida! (...). Preciso de uma prova. Uma prova, ouviste ? (...) Quem me dera ter uma certeza!".
Shakespeare (Otelo, Acto III, Cena III)
Mas (afinal) de onde é que apareceu esta gaja ?
Chiça!!! Está num comentário mas merece a 1ª página caraças!
"
Aqui está finalmente uma ferramenta imprescindível para os iluminados com QI superior aos comuns mortais, e que não lêm as revistas do coração, mas encontraram finalmente uma forma excepcional de utilizar a tecnologia para se mostrarem e serem vistos pela comunidade virtual superior, sem serem pirosos, claro.
.Abençoados Blogs!
Agora já podemos ser como os outros, mas diferentes.
Confesso que estou tentada. Penso mesmo que não poderei mais ser respeitada pelo namorado nem pela familia se não demonstrar publicamente o meu Blogoego.
Efectivamente não me dou suficiente importância( alter ego...)
Somos também intelectuais virtuais, pois sim senhor.O Matrix tem muito que se lhe diga
Não só na terra como Céu! Amen
Podemos então soltar o nosso ego por esses fios e ligações de todo o mundo e acima de tudo, ver sem ser visto!
Pois vamos então despejar o nosso conteúdo e mostrar a capacidade literária e cultural a outros tantos iluminados quais voyeuristas de Big Brother para sobredotados. Apaziguados enfim e sem recorrer ao Psicólogo ( tá a ficar "out").
Até as caralhadas têm outro sabor.
São palavrões sim senhor, mas com cultura, nota-se logo a diferença.
Claro que a restante maralha não poderá alcançar o sabor da irreverência, de um humor espirituoso e intelectual.
Viva a irreverência pois dela será o reino dos iluminados, já que os outros são simplesmente broncos.
Um dia sem Blogar e já se nota o frenesim. Sim porque é mais barato que o Prozac, e tem um efeito muito mais terapêutico para o ego. Não somos carneirada não senhor!
Isso é para a camada dos shim shenores k papa as telenovelas e os reality shows.
E para os iluminados que no fundo também são gente (?) Afinal também há que aderir e Zás eis que já não és ninguém se não tens Blog, tal como revistas cor de rosa para classes incompreendidas.
Como é bom Blogar . Parafraseando o aberrante filme Titanic " I´m the King of the world", por instantes. Frustrante é olhar para o "tamanho" do próximo, que não resistimos mas nos deixa sempre com a sensação de que o nosso é mais pequeno, ou menos qualquer coisa... Perversamente voyeuristas, não ha´como escapar.
E como uma lufada de ar fresco, Blogemos enchamos os pulmões de ego que nos dias que correm bastante falta faz. Sempre ajuda a passar outras faltas e defeitos que não nos permitimos questionar.
São SOS´s da alma, mas com requinte e literados
Cada país tem o jet set que merece, e os intelectuais do tamanho dos seus metros quadrados.
"

quarta-feira, maio 14, 2003

Ainda assim, o que é preferível ?
Resultado da primeira grandiosa sondagem (poll) ou poll (sondagem) qualquer:
Passar fome!: 37,5%
Comer comida estragada!: 62,5%
Universo: 8 cliqueiros(as).
Á boca da urna: toda a gente se lembrava dum tal filme onde não sei quê a malta se comia uma á outra porque tinham caído de avião e não sei quê e que aquilo foi mesmo real e que depois tiveram que receber tratamento psiquiátrico.
Cabedal
Esta coisa de um gajo escrever e não ganhar nada com isso pode ser complicada. Convertendo-se em Euros o tempo que se despende nesta labuta, é só real prejuízo. Ganhar ganhar, ganha-se sempre alguma coisa ou alguma coisinha, um auto-enriquecimento interior se assim lhe quisermos chamar, um consolo que muito valorizamos. Coisa que só quem escreve compreende e sabe dar valor, principalmente quando olha para trás e vê o quanto enriqueceu porque quão parco foi aquilo que já escreveu há mais ou menos tempo. Uma espécie de evolução da espécie qualquer, uma mais valia muito intima que só á distancia do tempo reconhecemos.
Um gajo que se deixe de tretas e ganhe dinheiro com o que escreve, está bem porque não tem esta relação monogâmica e obsessiva com a escrita que a maior parte da maralha tem. Se ganhar bem, vender muito bem, então até põe o gerente de conta a ler e a pedir-lhe autógrafos fora da zona reservada para o efeito, o que é bom sinal.
Isto da escrita exige metade de inspiração, outra metade de jeito, e outra metade de experiência e nenhuma vocação para a matemática. Mas a metade de experiência de vida, é sem sombras a metade mais importante. A escrita e a experiência da vida enriquecem e ajudam-se mutuamente mas não coexistem pacificamente. Explico, que um gajo que escreva muito não pode obviamente viver muito e vice-versa. É que a escrita não é vida para ninguém, ocupa muito e ás vezes pode ser tão trabalhosa que se pode tornar numa espécie de 11ª praga do Egipto. Só mesmo para quem faça vida disto. E esses, os que comem e apresentam sinais de riqueza exterior á pala da escrita, dão-se ao luxo de comprar experiência porque têm tempo e capital para isso. É que são as experiências que dão origem á experiência que por sua vez dá origem ás letras que vemos impressas nos livros, blogs e afins. E as experiências hoje em dia quase que se vendem ao quilo, compram-se como quase tudo, é um mercado em expansão.
Uma gaja minha conhecida andava a ser engatada por um escritor que anda muito aí na berlinda. O tipo, casado, teria decidido ‘comprar’ uma experiência, investindo o seu tempo nela, solteira já algo fora do prazo e digo-o claramente convencido de que ela não lerá isto, e as amigas que diziam que tudo não passava de mais uma experiência do gajo que armado em vampiro queria ir beber da excentricidade e da experiência de vida da amiga solteira e depois mandá-la dar uma curva porque era casado e ainda por cima escritor. E dar-lhe umas quecas também antes da curva, está claro de se ver. Dor de cotovelo pensei. Mas, as gajas amigas além da dor, tinham razão, estou absolutamente convencido disso. Apesar do choradinho lamentável que o tipo tem feito, um show-off típico de escritor, a amiga que não é parva nenhuma, marimbou-se para o gajo antes que ele guina-se. Mas lá está, a situação decerto serviu de inspiração para o vampiro. Nunca se perde gota de sangue nestas situações e um escritor sabe sempre que nunca tem nada a perder quando se trata de conseguir inspiração. A esta hora deverá estar a ser confortado por outra experiência qualquer e nas horas livres, i.e. em casa enquanto a mulher faz a paparoca, está o gajo a debitar pró teclado mais umas quantas ideias que em breve serão convertidas em euros. As gajas deviam cobrar direitos de autor mas contentam-se pelo enriquecimento do currículo sentimental e saem com a sensação do dever cumprido, de terem causado a tal dor de cotovelo ás amigas que entretanto se perfilaram inutilmente debaixo da dentuça do vampiro.
Ora, há por aí muito boa gente a blogar, pior, a escrever sofregamente. Não falo de mim, que escrevo sofregamente mas porque fujo do horário de expediente que tenho que cumprir. Falo de quem parece não ter vida para mais nada que não seja escrever, manter 2,3 sabe-se lá quantos blogs em simultâneo, alguns com grande competência. Como é que conseguem ? Não ganhando supostamente massa com isso, como é possível tentar dormir, trabalhar, comer, e beber ocasionalmente umas bejecas e isto só para falar do mais politicamente convencional ? Ou seja, e espaço para a experiência, para essa loucura que é a experiência necessariamente gratuita para nós amadores, que nos dá cabedal para escrever ?

terça-feira, maio 13, 2003

Um nick qualquer, umas bocas e já está! A partir de agora, estou a mercê da crítica. Vou dormir!

segunda-feira, maio 12, 2003

Estado da blogação II
O fenómeno Blog tem uma extensão maior do que aquilo que inicialmente julguei. São aos milhares, aos milhões. Até gente respeitável como o abrupto Pacheco Pereira já tem blog e há por aí muito jornalista e politico a blogar mais ou menos á sucapa. Os blogs não são exclusivos de "malta meio marada" e "sempre com ideias". Veja-se o igualmente surpreendente O Meu Pipi que é muito mais do que uma avalanche de palavrões. É também uma avalanche de palavrões... E uma escalada ao topo do bom humor também. Se isto não é alpinismo nem liberdade, e de expressão ainda por cima, então não sei o que é. Não li os termos de adesão ao blogger mas convencido estava que algures existiriam cláusulas proibindo o uso do palavrão vulgo c*ralhada. Suspeitei que os gajos teriam um software multilingue qualquer que vasculhava a pente fino o que a malta escrevia e mais tarde ou mais cedo estavamos a levar com a marreta. Pois parece que não, mas continuarei a colocar os * nos sitios certos, pequena auto-censura que acho me fica bem.
Directamente do produtor...Visitor Q
O ultimo filme que vejo, começa com o pai a fornicar a filha adolescente e prostituta, e acaba com ambos a mamar nos seios da mãe também prostituta e toxicodependente. O que acontece no meio é algo parecido. O filme é japonês, é sobre uma família. Filme de culto á vista!
Ficção cientifica
Escrito por Sade (Marquês de), está a senhora Dolmène em convívio intimo com um dos seus amantes quando chega outro amante, dos seus mais fieis.
“- Que vejo! Traidora! Então é isso que me reservas ?
- Que diabo tens tu ? Não vejo nada que te moleste por demais; não nos incomodes amigo meu, e acomoda-te no que ainda te sobra; como bem podes ver, há lugar para dois.”
Solidariedade
Vejo num jornal diário um desenho da menina que levou um tiro na cabeça, em leilão. No culminar duma solidariedade espontanea gerada logo pós o acontecimento, seria natural que um rabisco da criança, disputado, chegasse digamos que aos 50 contos mais conto menos conto... Seria razoável... parece-me... Mas é essa a base de licitação (!) de um dos vários rabiscos a leiloar. Ou seja, o leiloeiro certamente aceitará pagamento por cheque, mas só visado. Para pessoal da Quinta da Marinha para cima.
Anedota de Elite
"Uma cliente do BES encontra uma amiga:
- Olá como estás ?
- Estou grávida!
- Ai sim ?! Então parabéns... e já falaste com o teu marido ?
- Não!.. Falei com o teu!"

sexta-feira, maio 09, 2003

Icone 2.0
Logo este mês que estava decidido a comprar a GQ, aparece-me a Catarina Furtado na capa, anunciada mais sexy que nunca, fotografada por um nome estrangeiro. Por uma questão coerência adio a compra. Tempos houve em que era capaz de lhe pagar um copo no Bairro Alto, sonho de qualquer telespectador anónimo. Não nos esqueçamos que afinal já foi a namoradinha de Portugal. Mas uma pessoa cresce.

quinta-feira, maio 08, 2003

Inside trading
"Se tem um marido mulherengo - dicas para saber como segurá-lo" in revista qualquer estilo Maria Moderna ou Mulher Maria, nas bancas.
Dica: Experimente segurá-lo como se estivesse a agarrar numa raquete.
- A preta faz-me calor nos pes!Ende de oscar gous tu II
Oscar para o slogan publicitário com mais baixo teor alcoólico: Centralcer, meio ‘out-door’, produto Sagres com: “A preta para quem gosta de preta”.
Sinopse: Um copo de cerveja está tão cheio de si que começa a transbordar para fora uma espuma espessa e compacta semelhante aquela que se forma pelo bater das ondas na areia da fonte da telha quando ao largo os petroleiros limpam os depósitos. Mas para não haver confusões, o rótulo aposto no copo é revelador: aquele liquido preto não é ‘ouro negro’, é na realidade cerveja preta sobre um fundo preto, um acessório poético e uma manobra de diversão pois toda a gente sabe que em certas zonas do Algarve, a preta, ‘apanhar uma preta’ ou ‘estar com uma preta’ é o mesmo que dizer apanhar ou estar com uma bebedeira. Em Lisboa, as pretas do Intendente não são aconselháveis porque o mais certo é apanhar antes uma grande camada de chatos. A preta em si mesma, i.e. mulher com ‘forte pigmentação’ é um objecto de culto sexual, e a par do ‘menage-a-trois’, faz parte da fantasia sexual de qualquer gajo que se preze e com menos pigmentação. Quem não se lembra daquela máquina de gritar que entrava naquele videoclip do então preto Michael Jackson, o ‘thriler’ ? Dali saiu ela disparada para as páginas centrais de uma das playboy mais circuladas na escola das Cavaquinhas (nome ridículo do local onde andei na escola secundária).
O fundo negro do out-door esconde também algo ainda mais obscuro e mesmo nada alcoólico. Se virmos bem, na nossa adolescência, nas nossas matinés de VHS's pornográficos, todas as pilas que apareciam no écran eram mais pretas que a nossa, o que fazia com que nos interrogasse-mos secretamente se alguma vez seriamos capazes de provocar o mesmo gozo a uma gaja como fazia a ‘preta’ do lendário John Holmes. De maneira nenhuma foi isto traumatizante pois em vez da cor, a maior parte da malta tornou-se antes secretamente obcecada pelo tamanho, o que não se pode considerar propriamente um trauma, antes uma obsessão ou melhor uma secreta preocupação. 20 cl é o padrão. A caneca, enquanto se bebe e não se bebe, nas calmas como deve ser, perde o gás.
Hoje parece mesmo que é o primeiro dia do resto do Verão. É a luz, a luminosidade, o sabor nos olhos. E o azul Verão do mar confirmou-me. O Tejo parecia quase um espelho hoje, lá em baixo, o Tejo está lá em baixo, um barco de pesca, deve ser, parece não ter ninguém, parece.

quarta-feira, maio 07, 2003

- Este ano vou passar ferias ao Vaticano!Marilyn
Tenho curiosidade em ver Marilyn Manson ao vivo. Tenho admiração pelo gajo. A musica é potente e depois há aquela provocação que acontece simplesmente quando o fulano aparece. Tudo aquilo soa a artificial mas Manson está muitos patamares acima da mera fantochada. Há ali uma excelente produção artistica, toda uma acuidade visual impressionante. Como tudo o que é artificial tem a tendência para mais cedo ou mais tarde se tornar natural, há que aproveitar enquanto é tempo. O tipo vem cá a Lisboa, parece que dia 29.

terça-feira, maio 06, 2003

Ai que bom que é ganhar um campeonato
- “Não sei explicar, é uma sensação... não tenho palavras!”
A pergunta não era propriamente o que se sente quando se está a ter um orgasmo. Estava-se antes a responder sobre o que se sentia com a conquista de mais um campeonato. E o portista anónimo (adepto do FCP, não confundir com portuense, cidadão do Porto), na rádio, lá respondeu, entre a gritaria de fundo que se impunha. No projecto imbecilitivo da nação, as gentes fanáticas do FCP parecem tomar a dianteira. São campeões disso sim senhor. Isto não é a loucura do futebol, poderoso conceito de marketing fomentado pelos media, e antes o fosse. A tal loucura, saudável loucura não existe porque sorrateiramente fomenta-se algo que dá mais lucro: a demência do futebol. Hoje o campeonato, amanha depois do jantar o mundo
Quando o que está em jogo é o capital, é grotesco ver as manifestações de suposto jubilo dos adeptos. Alguém que avise aquela pobre gente que o que estão a fazer é patético e tinha lógica no século passado. Lembram-se quando os jogadores tinham amor á camisola ? Quando os clubes eram clubes e haviam sócios honorários quando agora há empresas e accionistas maioritários ? Quando o clube representava a terra e não interesses obscuros ? Quando o vencimento dos jogadores era pago pelas cotas dos sócios e pela publicidade nas camisolas e não por encaixes financeiros duvidosos e subsídios e benesses escandalosas do Estado ? Quando os jogadores apareciam nos areais da Costa da Caparica para umas peladinhas aos domingos de manhã e agora só aparecem na Caras a mostrar a casa do Algarve ? Hei, acordem, tudo está a passar para o século passado. Comportem-se com juizinho. Vocês de azul e branco não ganham absolutamente nada. Nada. Festejar o quê ? Campeões, o campeonato ?!! O que é isso, o que é que ganham com isso ?! Actualmente no futebol a única coisa que se ganha é dinheiro e esse ganham-no unicamente os que festejam muito discretamente, acreditem. Foram vocês que o deram a ganhar e ainda sentem felicidade por isso ? Que raio de felicidade essa ? Compram algo que não têm necessidade de comprar e compram-no cada vez mais caro. E essa mercadoria que recebem em troca está inquinada, é uma bandeja dourada servida com um delicioso nada. Procurem outras fontes alternativas de prazer e alegria! Na arte, na musica, na natureza ou nos outros e nas outras, na rebaldaria da vida. Procurem e não deixem que não os deixem procurar. Resgatem a dignidade do cidadão e do Homem que deve estar muito á frente da fraca figura que fazem, de ordeiros adeptos mais consumistas do que ferrenhos e mandem a gritaria e a imbecilidade dar uma curva, atirem os diários desportivos, os cachecois, as T-shirts do clube, a Sport TV ás urtigas. Desde quando já se viu pagar para ver futebol em casa ? Ou sentem-se melhor assim, é essa a forma redutora, o pequeno grande sacrifício que cada um de vocês faz para se manter ligado ao sistema vitorioso, ao circulo vicioso do futebol que vocês orgulhosamente alimentam e que é tudo menos o clube e jogo da bola, e contribuir dessa maneira para pagar mais um litro de gasolina e mais uma das porcas que apertam as jantes especiais dos carro dos Pintos da Costa ? E quantos milhões afinal são vocês, que dá para muito, fartura de carros e casas não lhes faltam, assim como não vos faltarão sanitas no novo estádio.Volto a fazer a barba no dia em que o Benfica for campeao
Daí que as pessoas, dementes de azul e branco, não consigam explicar o que sentem e mesmo as que dizem sentir uma grande felicidade ou alegria, dizem-no porque é suposto serem esses os sentimentos ‘normais’ que devem sentir, é o que lhes é vendido ou dado de barato pelos clubes via os média. Toc-toc... Ouvem ? Estão ocos. A própria manifestação da vitória é no adepto portista tanto mais tristemente efusiva, irreal e vazia porque, não ganhando nada na realidade, de facto houve alguém que não ganhou ou que perdeu (no caso, os restantes clubes/adeptos, ainda que também nada tenham perdido). Logo, festeja-se, festeja-se a suposta humilhação.
É com muito orgulho que faço parte dos perdedores e agradeço esta calma e lucidez que a derrota proporciona e que, pode ser, contamine, felizmente a maioria, da população da nação. E se alguma vez o Benfica (voltar a) ganhar alguma coisa, que a malta beba lucidamente uns copos e ignore os microfones da rádio e as cameras de televisão porque não lhe pagam para isso, e saiba explicar a quem terá de dar talvez satisfações, ao dono do bar, porque está, simplesmente, satisfeita, e mande vir mais uma.

segunda-feira, maio 05, 2003

"Love can damage your health, la-la-la-la-la-la"

terça-feira, abril 29, 2003

GatosAi o malvado do gato... onde é que eu pus a fisga?...
“Há milhares de anos os gatos eram adorados como deuses. Nunca se esqueceram disso.”
As coisas podem tornar-se tão fascinantes tanto mais quanto antes nunca tínhamos reparado nelas. O caso dos gatos é paradigmático. Toda esta vida foi mais com desconfiança que respeito que olhei sempre de lado para os gatos. Havia neles um misto de medo, aquela miufa ridícula e histérica que os gatos parecem ter, e uma arrogância no miar aliada a uma indisciplina provocadora que despoletavam em mim um desejo confortável e incontrolavel de fazer-lhes pontaria com a fisga armada, era eu petiz.
“Os cães vêm quando chamas por eles. Os gatos tomam nota do que dizes e, eventualmente, voltarão ao assunto.” Mary Bly
Apesar disso o sentimento acompanhou-me, confesso, mesmo depois de criança, já adulto, mesmo depois de ter adquirido em Córdoba uma fisga árabe. Até um dia, um dia de partida e de regresso, daqueles dias em que só se deve levar ou trazer, como era o caso, o que se tinha levado, o essencial. Não um, mas dois gatos escolheram-me e fizeram comigo 3000 quilómetros.
"Nos olhos de um gato podes observar o tempo, na verdade, a eternidade!” Charles Baudelaire
A distancia não significa nada. Os sentimentos podem desvanecer-se ou exaltarem-se em poucos metros. Mas quando se viaja com determinado tipo de bagagem extra, cada quilometro conta. Em cada viagem deixamos sempre algo para trás, nem sempre o irremediável, muitas vezes o inconfessável. Mas nesta viagem, o que ficou para trás foi aquele sentimento, o da fisga, o da criança cruelzinha para com os gatos.
“Deus fez o gato para que o homem pudesse ter o privilégio de acariciar o leão.” Fernand Mery
Os gatos sabem melhor que ninguém que crueldade pode haver numa criança. Os meus aprenderam depressa essa lição. Uma pessoa amiga levou uma vez lá a casa o filho, criança que mal sabia gatinhar mas que já tinha força suficiente para agarrar pelos rabo e não mais largar os meus gatos, na altura jovens de 5 ou 6 meses.
“Mesmo o mais pequeno dos gatos é uma obra de arte”. Leonardo da Vinci
Entre o constrangimento de controlar a vontade de dar dois tabefes na criancinha e a passividade dos paizinhos indiferentes, lá assisti de pés e mãos atadas. A criancinha lá se divertiu e saiu ilesa do acontecimento.
“O gato pode servir-nos de modelo em questões de higiene e como criar filhos”. Arthur Marx
Aquele pequeno episódio fez-me lembrar aqueles fulanos que na rua parecem pessoas vulgares e na porrada se for preciso comportam-se dessa maneira apesar do cinturão preto que trazem por debaixo das calças. Não querem fazer uso das suas capacidades pois imediatamente ficariam numa situação de superioridade em relação á outra pessoa; ou seja, seriam capazes de partir os cornos á outra pessoa ou simplesmente paraliza-la de medo com um simples grito e isso é algo que é muito bom saber guardar só para si em alturas de aperto, manter o sangue frio e o sorriso displicente. Coisas que muitas vezes acabam por ser dissuadoras do confronto físico porque se cria no oponente uma sensação de ‘aqui há gato’ perturbadora.
“Há duas maneira de escapar às misérias da vida: Música e gatos.” Albert Schweizer
Assim se comportaram os meus gatos naquele dia. Por debaixo daquele miarzinho, daqueles olhinhos grandes, redondos e brilhantes, daquele pelo lustroso, aqueles gatinhos estavam conscientes que eram autênticas feras, possuidores de garras afiadissimas capazes de certamente estraçalhar a criancinha, na altura pouco maior que um coelho anão.
“Quem consegue acreditar que não há alma por detrás daqueles olhos luminosos.” Theophile Gautier
Eles lá a aturaram, com a tal calma e sangue frio dos autêntico cinturões negros vestidos á paisana, mas juraram para nunca mais. Cada vez que se aproxima alguém deles com menos de meio metro, é vê-los porem-se a milhas!
“Porquê procurar consolo no Islão, Budismo ou Catolicismo – um gato dá-te o mesmo, e ainda te aquece o colo”. Charles Darwin
- Aquela barata ali em baixo faz-me lembrar o JoaquimAnedota de elite
- O Joaquim do Poço é um filho da p*ta!!!
- Minha filha não digas isso. Não vês que todos somos irmãos, filhos do Senhor. O que dizes é muito feio!
- Mas é verdade, ele é mesmo um filho da p*ta!! O que se há-de fazer... Ele não deve ter culpa de ser assim. Certamente foram as condicionantes da vida que o levaram a ser o que é. Terá sido ele próprio vitima dum outro ou outra filha da p*ta qualquer. Depois verifica-se aquilo a que se chama o efeito dominó.
- Mas o que ele te fez minha filha, aproxima-te mais um bocadinho e conta aqui ao Senhor Prior.
- Há uma semana, ele apanhou-me ali atrás da Junta e começou-me a mexer nas maminhas, um filho da p*ta daqueles!
- Mas minha filha, jovem e roliça adolescente, isso também não é razão para agora dizeres que o moço é filho da p*ta. Mexeu-te assim ?... Eu também mexo e não sou filho da p*ta pois não minha filha ?
- Não Senhor Prior. Mas ele depois despiu-me e começou-me a tocar em baixo. Fez-me coisas com a língua... Parecia que tinha vida própria.
- Fez assim como eu estou a fazer não fez minha filha ? E eu não sou filho da p*ta pois não ?
- Não senhor Prior. Mas ele depois deitou-me e penetrou-me, o filho da p*ta.
- Mas minha filha, fez-te assim ? Vê que eu também o faço e não sou nenhum filho da p*ta pois não ?
- Não Senhor Prior, ele é que é um grande filho da p*ta porque depois do serviço feito disse-me que tinha sida!
- Ah grande filho da p*ta!!!!

Versão original: Faísca
Versão adulterada/publicada: jorgexistence

quinta-feira, abril 24, 2003

Relva nao que me faz mal a peleFigo
Há muito tempo que não via uma boa jogatana de bola. Aconteceu ontem. No entanto já não vejo a bola como antigamente. Ela lá continua, redonda. Os jogadores é que me parecem cada vez mais quadrados ou melhor, rectangulares. Não consigo deixar de imaginar no écran 22 maços de notas atrás duma bola. E não consigo deixar de notar na falta de alegria com que se joga. O Figo é escandaloso. Se eu fosse treinador do Real rifava-o. O mister não foi tão longe e decidiu substituí-lo a meio da 2ª parte, merecido! Já nem sequer falo em prazer, no prazer de jogar á bola. O homem até pode não ter prazer nenhum em jogar á bola e a alegria essa venha do ganhar á bola. A ganhar um milhão de contos que mais milhão menos milhão ganha por ano, ao menos que disfarce um bocadinho. Não custa nada, há cursos no chapitô ou no C.E.M. O gajo que se informe. É sabido que a bolsa está em baixo, que todos temos os nossos dias mas o estilo Figo em campo é cada vez mais aquele visível frete que o número 10 parece estar sempre a fazer. E vai daí, uma sarrafada no que tem mais pernas. Amarelo, antes da substituição, merecido! Acho que se ganhasse por ano um milhão de qualquer coisa que desse para comprar uma penthouse no Mónaco e outra em novaiorque, só não pareceria o passarinho mais feliz do mundo a esvoaçar por todo o lado porque andava sempre vestido ‘hugo boss’ (é sabido que os passarinhos não vestem roupa de marca). Agora o Figo, é daqueles casos em que obrigatoriamente tinha que comer a relva. Tivesse eu no lugar dele, coisa que juro nem que me pagassem, nem eu me sentia bem se assim não fosse. Haveria de saber de cor o sabor das relvas de cada estádio e durante o jogo, aproveitava enquanto o arbitro não via, para palitar os dentes... com palitos Guess, claro!
Fiquei viciado estava eu ainda na barriga da minha mãe!Ende de oscar gous tu...
Oscar para o maior desperdício de gasolina: Volkswagen, meio televisão, produto Polo. Sinopse do spot: Um casalinho, ela grávida e com um desejo irreprimível de comer um gelado bem servido, ele um rapaz normal como tantos outros. Como o ‘ti-pichas’ já morreu, (nome do homenzinho que montado numa motoreta concebida para o efeito, vendia gelados/sorvetes de terra em terra, inclusive aquela onde nasci; a origem do peculiar nome ainda é hoje um mistério para a minha geração) não há nenhuma ‘Primetime’ por perto, á Hagen Dasz só vale a pena ir quando nos mandam um vale por altura do nosso aniversário, ela é alérgica aos gelados da ‘Olá’ e ainda não fazem entregas de gelados ao domicilio, toca a pegar no Polo, um carro especialmente concebido para situações semelhantes, e ir por aí fora. Começa-se pelo Parque das Nações (o casal supostamente residirá ali num daqueles apartamentos com vista para o Barreiro e arredores, oferecido pelos pai dela, pessoas abastadas que terão enriquecido explorando um posto de abastecimento de gasolina na segunda circular). A musica no leitor de CD’s áudio é do mesmo género da que passou numa noite em que tive no Captain Kirk, género que a minha relativa ignorância musical não me deixa identificar.
Começa então a busca pelo gelado pedido, do Parque das Nações para o interior de Lisboa. Um policia sem saber o que fazer á vida mas de bom coração, como o são todos, montado numa BMW, presta-se de imediato a escoltar o Polo, julgando porém, dado o conteúdo do mesmo, que o veículo se dirige em urgência para a maternidade mais próxima... Mas não! Não se faz. O Polo lá continua a sua viagem, desta vez rumo á margem sul. É vê-lo passar a ponte. Não se ouve aquele barulho característico que se ouve quando se passa a ponte (faixa do meio) porque continua a musica. O ritmo da musica é contagiante e a esta hora começo a interrogar-me quem afinal toca aquilo. Lá dentro do Polo, parece que estou a ouvi-la “querido, arranjas-me a porra dum gelado ou não?”. Não, não há nada de fresco na margem sul. Só prédios de 4 andares sem elevador, esplanadas repletas de desocupados suburbanos e o mesmo transito caótico da cidade. Não admira que o Polo volte á capital, desta vez á Baixa. Haveria ali uma geladaria famosa... Não, afinal era uma casa que fazia bolos rei. Continua o desbaratar de gasolina. O que faz uma mulher grávida com desejos. Até que finalmente, numa daquelas lojas típicas de vender gelados, parece-me que ali para os lados da Rua dos Bacalhoeiros, prepara-se o dono da loja para fechar o gradeamento, que isto a ladroagem o há por toda a parte, quando o marido espavorido chega, ainda a tempo de o vermos depois de gelado na mão. Menos um divórcio, por ora...

quarta-feira, abril 23, 2003

Foto autografada gentilmente sacada de um site qualquer onde se pode comprovar efectivamente a beleza da CarmenTurd fun
Chau olhando para a sanita, falando para matéria fecal (vulgo fez ou cagalhão inteligente, hipotese aventada por Mike) que depois de entalada na sanita da casa de banho da Carmen Electra, aparece no mesmo estado mas na sanita da casa de banho dos 3 ‘guys’, (plano magistral: a Carmen, perdão, a camera está dentro da sanita e o que se vê são as caras dos 3):
“We mean you no harm!”
Imperdível, de antologia. Todos os dias úteis no 2º canal depois do Noddy e antes da Sabrina.
Clique aqui para aprender a montar uma sanita e/ou aqui para ter um wallpaper da Carmen Electra (a cores e com a barriga á mostra)

terça-feira, abril 22, 2003

Icones 1.0
Vejo a actriz Alexandra Lencastre a dançar e a despir-se ao mesmo tempo. Isto não é assim uma habilidade por ali além mas é a prova viva de que, se ainda haviam dúvidas depois da Demi Moore, toda a mulher é uma boa dançarina de striptease em potência.
Se uma boa stripteaser não pode ignorar o público que assiste e ao invés deve até interagir com ele (a assistência urra de agradecimento), uma actriz de cinema ou televisão tem que ignorar completamente a presença da camera de filmar, coisa que a Alexandra não consegue fazer. Está o espétaculo estragado. Lamento mas apesar da unanimidade geral, dos artigos elogiosos vindos de todos os quadrantes, dos convites para filmar do Malkovitch, a realidade é que Alexandra pode ser uma boa stripteaser anónima mas é uma actriz limitada, talvez porque transporta de forma demasiado óbvia a facilidade do ser real e a fachada fácil da sua imagem para as personagens que interpreta. Os grandes actores ficam conhecidos pelas suas grandes interpretações. Ficam as personagens. No caso de Alexandra fica apenas a sua grande beleza, fica-nos sempre só a Alexandra (o que já dá para o gasto), e as personagens que interpreta são apenas o veículo, no caso, para vender televisão ao desbarato. Poderá ser mais um exemplo dum ‘inconveniente de ser bela’, talvez. Talvez quando a vemos representar nos fique a beleza e o resto passe para um menosprezante segundo plano. Mas há actrizes belas que conseguem ser belas actrizes, soberbas e inesquecíveis. Lembro-me de repente de uma ou duas, Uma Thurman em particular. E pode-se ser soberba e inesquecível numa série de ficção portuguesa da TVI ? Claro que não, mas é ali que Alexandra parece estar como peixe na água.
Telever
Inestéticas, velhas, gastas e com má cor... Junte-se uma antena ferrujenta e a abanar com o vento e temos uma má imagem perfeita. Chama-se a isto ver televisão na provincia, onde as coisas, até esta, têm um saborzinho especial. Ver televisão numa 'radiola', começa a ser cada vez mais uma experiência marcante. Procuro agora uma 'korting'.

segunda-feira, abril 14, 2003


Desejo não desejar

Há dias em que uma pessoa sente uma enorme falta de si, e logo deseja o que nem sempre é desejável: Pedir a alguém um pouco de si que lhe empreste, prometendo devolver logo que o desejo passe.

quinta-feira, abril 10, 2003

Vivemos num mundo subaproveitado. Há pessoas subaproveitadas, talentos, tempo (principalmente os minutos), beleza, ideias, espaços subaproveitados a mais. É por isso que apesar do engarrafamento em que se encontra a existência, ainda há muita coisa para acontecer, muita corda para esticar. Consciente disto, tento aproveitar ao máximo, por exemplo a gasolina que está cara, a sombra, o sol, o sinal amarelo, enfim, a generalidade dos recursos naturais, artificiais e existenciais. Em casa tento aproveitar os cantinhos, tenho uma pequena pancada por prateleiras, ou optimização dos espaços (para ser mais técnico) que não quero de maneira nenhuma deixar subaproveitados. E isto é verdade, o meu berbequim é testemunha. Digo que a pancada das prateleiras é pequena porque de vez em quando espreito uma revista de decoração onde tudo me parece grande, genial, muito bem aproveitado.
Um dos cúmulos do subraproveitamento, o Word da Microsoft, o processador de texto mais famoso que o Word Pro da Lotus. Li uma vez que apenas 10% a 15% dos recursos do programa eram utilizados pela maioria dos utilizadores. Um daqueles problemas que julgo não se resolve com mais prateleiras, antes com mais conhecimento ou então arranjando-se motivos para utilizar os outros 85% a 90% do Word subaproveitados. Pior está quem não consegue piratear os 100% do programa e tem que os pagar para só depois gozar uma ínfima parte.
Ao ver um livro de culinária, como todos, portentoso monumento á criatividade e variedade, livro esse que me mostram, pormenor importante, o livro vem até mim e não vice-versa, convém realçar, tenta-me convencer que para fazer aquelas obras de arte bastava uma ida ao supermercado, avental, tacho e colher de pau, e logo a questão do subaproveitamento volta á baila, desta vez intimamente relacionada com a felicidade dos homens. Daquela vasta colecção de livros de culinária que recheiam as prateleiras da maioria das cozinhas, se as leitoras daquela literatura, fizessem nem que fossem 1% das receitas, se as aproveitassem, haveria ementa nova todos os dias e muito semblante se modificaria quando á mesa não se sentisse aquela habitual sensação de ‘deja-vu’.
O Leonard é que sabe
"
If you want a lover
I'll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you
If you want a partner
Take my hand
Or if you want to strike me down in anger
Here I stand
I'm your man

If you want a boxer
I will step into the ring for you
And if you want a doctor
I'll examine every inch of you
If you want a driver
Climb inside
Or if you want to take me for a ride
You know you can
I'm your man

Ah, the moon's too bright
The chain's too tight
The beast won't go to sleep
I've been running through these promises to you
That I made and I could not keep
Ah but a man never got a woman back
Not by begging on his knees
Or I'd crawl to you baby
And I'd fall at your feet
And I'd howl at your beauty
Like a dog in heat
And I'd claw at your heart
And I'd tear at your sheet
I'd say please, please
I'm your man

And if you've got to sleep
A moment on the road
I will steer for you
And if you want to work the street alone
I'll disappear for you
If you want a father for your child
Or only want to walk with me a while
Across the sand
I'm your man

If you want a lover
I'll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you
"
by Leonard Cohen
Ler ou ser lido, eis a obsessão.

quarta-feira, abril 09, 2003

Santa terrinha
Uma pessoa sabe se tem ou não tem terra, quando está na sua suposta terra, a terra onde nasceu, e alguém perdido se aproxima e lhe pergunta onde fica a Rua qualquer coisa. Isto é raro acontecer. As setas proliferam por toda a parte e hoje em dia é raro encontrar-se alguém perdido a não ser na cervejaria ali da esquina ao final do dia. Assim como é raro encontrar-se hoje em dia alguém na sua terra. Há uma atracção e migração natural para outras terras. Mas se acontecer aparecer-nos um tal perdido, e soubermos indicar a localização da rua, será sinal de que “temos terra”. Aquilo corre-nos nas veias, sabemos quem foram aqueles dirigentes associativos e músicos da sociedade filarmónica que deram nome ás ruas, não nos esquecmos deles e sabemos onde ficam as ruas e travessas, quem lá mora ou morou.
Não saber indicar o caminho para a Rua qualquer coisa, nem sequer alguma vez se ter lembrado ouvir semelhante artéria, foi o que aconteceu comigo um dia destes, que na minha terra parei por alguns instantes, o suficiente para se aproximar um perdido e que julgando-me com razão ‘da terra’ me fez a pergunta reveladora. Descobri que não tenho terra. Eu já andava desconfiado. Sentia falta de qualquer coisa só não sabia o que era. Nunca vi o sitio onde nasci como sendo “a minha terra”. Á medida que fui crescendo e ouvia cada vez com mais frequência “vou passar o fim de semana á minha terra” consegui ensaiar um sorriso pré-fabricado que guardava sempre para aquela ocasião, aquela, quando surgia a pergunta “e a tua terra, qual é ?”. Nascer na subúrbia é do caraças e marca-nos para o resto da vida. Ainda há sítios com alguma história ou vizinhas giras, agora o sitio onde nasci, uma correnteza de prédios em forma de ‘S’ mal feito, ao qual se deu o infeliz nome de “Casal de qualquer coisa”... Toda a gente nasce numa aldeia, vila ou cidade... Eu nasci num Casal (!) A história daqueles prédios de três andares, um aglomerado de marquizes inesteticamente coladas umas ás outras no meio daquelas quintas quase abandonadas, escreve-se em duas linhas: Esta terra nasceu porque ali perto surgiu uma grande fábrica e foi rentável construi-la para vender as casas aos trabalhadores que vieram de toda a parte do país com as famílias e pouco mais atrás. Não imagino história mais deprimente para uma terra. Mas torna-se fácil imaginar as escassos quilómetros de distancia as chaminés da fabrica a deitar constantemente aquele fumo negro ou acastanhado nos melhores dias, e a poucos metros o pó e o fumo acumulado nos estores das janelas, resultado de dias e dias de vento sul. Por isso quando há alguns anos deixei aquela ‘santa terrinha’, talvez por isso não me custou nada. Trouxe tudo comigo, a minha infância principalmente, memórias, e os meus amigos, e só lá ficaram as arvores onde faziamos as casas e andavamos de baloiço, os campos onde jogávamos á bola agora cobertos de mato novamente porque parece que já não há putos para jogar á bola, ir á laranja ás escondidas e fugir á frente dos cães do caseiro. Tirado tudo daquela terra onde nasci, só dela me lembro por estes dias porque por ali tenho passado, 60, 80 quilometros à hora, depressa mas o suficiente para reparar que afinal está ali uma placa a indicar a Rua qualquer coisa. Mas só travo lá mais á frente 20 quilómetros á frente, onde já sei indicar ruas e caminhos com muito orgulho.
Cockroach fun
"Estão uma mãe e um filho ciganos a comer azeitonas, vai o filho cigano e diz:
- Mãeinnn, as azeitonas têm pernas mãeinnn ?
- O raio do cigano tá parvo, claro que não!!!!
- Ai mãeinnn, então comi uma barata!"
in Voxx, 91.6fm, 8.Abril.2003 21:57:00

terça-feira, abril 08, 2003

Monge
Um homem de gatas prepara-se para atravessar uma passadeira com o sinal vermelho para peões. Compõe a gravata e calça uns ténis sem marca. Farta-se de se preparar e decide seguir. O condutor que faz uma travagem de 51 cm sai do carro e ajuda o homem de gatas a levantar-se ao mesmo tempo que lhe oferece um sistema informático completo multimédia próprio para homens de gatas mas sem monitor, por uma quantia que na sua boca é irrisória. O homem de gatas aceita mas pergunta-lhe se tem garantia. O condutor vê passar um monge budista na passadeira com sinal verde para peões e pergunta-lhe por gestos se acaso tinha uma garantia que lhe pudesse emprestar. O monge fica confuso pois a única garantia que tem é a da sua morte. Ainda procura por todos os bolsos mas é tempo perdido. Repara então que o sinal entretanto já passou a vermelho e aflito volta para trás. No caminho é atropelado por um carro movido a energia solar e morre por isso, com um sorriso nos lábios.