Estória de princípio de século para adormecer crianças até adormecerem
Quando estava a três metros da meta, o esqueleto Maurício tropeçou na sua tíbia direita e caiu na pista de “tartan”. O esqueleto rival, o Albertino, que era até então o segundo na corrida, quando ultrapassou o esqueleto caído, deu-lhe sem querer um pontapé na cabeça.
O esqueleto Albertino que agora cortava a meta vitorioso, erguia os ossos dos seus membros superiores num sinal de evidente satisfação, mal sabendo que a cabeça do seu adversário caído e que ele pontapeara sem querer, tinha rolado e atravessado o risco da meta em primeiro lugar.
Como mandavam as regras, numa corrida de 100 metros ganhava o esqueleto que com a cabeça, ou seja, com o crânio, passasse em primeiro lugar sobre a linha de meta.
Com a enorme satisfação que lhe percorria os 206 ossos de todo o seu esqueleto, o convencido vencedor Albertino era saudado por todos, sem que ninguém se apercebesse que os maxilares da cabeça caída do esqueleto Maurício se abriam e fechavam, balbuciando palavras vitoriosas e exigindo que o seu corpo esqueleto ainda caído, se levantasse e viesse até si.
Quando o esqueleto Maurício se recompôs, voltando á sua posição erecta e com a respectiva cabeça no sitio certo, dirigiu-se aos esqueletos árbitros para verificar o “photo-finish”, enquanto o esqueleto Albertino recebia os aplausos do esquelético público entusiasta.
Sim, não havia duvida! A cabeça do esqueleto Maurício que tinha tropeçado e caído, desprendera-se do resto dos ossos e atravessara a linha de meta primeiro que a cabeça do esqueleto Albertino que a tinha pontapeado, sem querer claro.
Pronto, estava lançada a polémica sobre as Olimpíadas dos Esqueletos Vaidosos.
Tudo foi decidido á cacetada, ou seja, à ossada, como mandavam as regras naqueles casos.
Como sempre, ganhou aquele que tinha mais resistência e força nos ossos. Aquele que tinha os ossos mais rijos. Aquele que tinha bebido mais leite e assim tomado mais cálcio. O vencedor acabaria por ser o esqueleto que tinha tropeçado e caído, o esqueleto Maurício.
Num gesto bonito, aquando da entrega das medalhas no “podium”, o esqueleto vencedor emprestou algumas das vértebras cervicais do seu pescoço ao esqueleto Albertino, o desclassificado do 1º lugar, para que este podesse receber condignamente a respectiva medalha de prata.